Felizes extravagâncias da Comme des Garçons

18.06.2017

Afortunadamente as ideias de moda podem ser passadas através de uma entrevista, mas também pelo visual, sem dizer palavra. Extremamente reservada, a estilista Rei Kawakubo raramente dá entrevistas e foi fotografada profissionalmente pela última vez em 2005. Comandando a hypada gride Comme des Garçons, não falou nada e é, mais uma vez, o assunto da semana no mundo da moda. Pudera, ela acaba de ser homenageada no MET Gala. Ela é a primeira designer viva, desde Yves Saint Laurent em 1983, a ser o tema da exposição de moda.

 

Modelo Jumper, da coleção conceito de 1982: super atual

 

Desde o início da carreira Kawakubo insiste que a única maneira de conhecê-la é através das roupas que desenha. Seu marido, Joffe, fez as raras pontes entre ela e algum repórter.  Esse aliás, é o significado de crendice para ela que não segue nenhuma religião, diz não ter ídolos e nunca participou de nenhum movimento. “Para mim, crença significa que você tem de depender de alguém”, disse em um desses raros momentos para o The New Yorker.

Ora, pois, desvendemos seu estilo. Pode parecer um contrassenso com a citação anterior, mas Rei Kawakubo tem um forte senso de independência. E, para além essa faceta, é conhecida pelo absurdo. Era o ano de 1981 quando resolveu desfilar em Paris, numa época dominada pelo excesso de glamour de Gianni Versace e as ombreiras pontiagudas Therry Mugler. Ao lado de Yoji Yamamoto, ela quebrou o movimento de pavões e peruas.

Backstage: Kawakubo faz os últimos ajustes na modelos no desfile em Paris, em 1987.

 

Para os homens a volumetria sempre foi destacada dos demais trajes. Recortes sempre presentes. Nas mulheres, desde aquele primeiro desfile, eram centenas de camadas de tecido solto, moldagens abstratas, irregulares, assimetria monocromática e o ideal de jamais procurar roupas sexualizadas e pomposas.

Dentro da estrutura do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, isso deu o maior rebu. Pouca gente entendeu o que é defender um projeto vanguardista, desafiando noções convencionais de beleza e bom gosto. Vendo as fotos e memes que os artistas geraram, não dá pra vir com outra afirmação que não: viva o circo e a loucura criativa!

O japonismo pede informação. E o modus operandi de Kawakubo se inclina para a desconstrução. Precisa de colhão para ser Rihanna e usar um Commes des Garçons daqueles. E muito mais gente mostrou aprimoramento no quesito moda versus arte. Gigi Hadid com um impressionante Tommy Hilfiger, Lily Collins de Giambattista Valli Couture, Janelle Monáe num incrível preto e branco de Ralph Russo, além de Halle Berry e Blake Lively de Atelier Versace. Blake, aliás, ainda ostentou outra joia segurando sua mão: o ator Ryan Reynolds. Foi, sem dúvida, o casal mais bacana que pisou no tapete vermelho. Mas Ryan estava como Eddie Redmayne, que vestiu Prada. Muito classudo, nada a ver com a homenageada da noite.

Entre os homens, quem se destacou pela carga de dramaticidade do traje todo vermelho, com uma flor de lapela negra, foi o ator Rami Malek, americano de descendência egípcia. O jovem faz sucesso como o protagonista Elliot, na séria de TV americana Mr. Robot. Sempre está muito bem vestido e moderninho, mas, sem os ombros largos dos galãs, ainda é pouco notado. Diplo, Joe e Nick Jonas também fizeram bonito com trajes evidenciando texturas, estampas e recortes diferentes. Isso, claro, para desgraça de Gisele Bündchen, que, apesar de estar linda ao lado de Tom Brady, poderia estar em qualquer outro evento com aquele lindo vestido metalizado – que muito me lembrou o das Olimpíadas do Rio, concordam?

Render homenagem é algo importante. Só os ícones conseguem esse espaço. Assim sendo é fundamental que os convidados entrem no clima, como se fosse um evento temático. Por isso mesmo as mulheres que estavam com vestidos transparentes – alguns totalmente – apesar de esbanjarem corpos belíssimos, estavam completamente descontextualizadas da ideia da estilista de não sexualizar. Num evento de moda como o MET Gala, o importante não é estar OK. O espaço é dos poucos do mundo aberto a experimentações.

Para quem não conhecia e achou extravagante, ficam aqui alguns números e informações que mostram o sucesso da Comme des Garçons: 230 lojas fora do Japão, flagships em NY, Paris e Tóquio, um faturamento anual de US$ 250 milhões e fãs famosos como Madonna, a diretora criativa da Céline, Phoebe Philo, e os estilistas Karl Lagerfeld e Nicolas Ghesquière, da Louis Vuitton.

Versão casual de Kawakubo para Comme des Garçons

 

* Texto originalmente publicado no Novo

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