Coleira masculina incomoda muita gente

22.04.2017

Eu sei que o mundo dá voltas e alguns exemplos já são batidos demais. Mas não há como esquecer o dia em que Luma de Oliveira atravessou a Marquês de Sapucaí com uma choker com o nome de Eike cravejado de brilhantes. Direto do túnel do tempo, essa coleira virou notícia no carnaval de 1998. No final daquela década, o acessório estava em alta.

Mulheres ostentaram de maneira sutil em diferentes épocas. As gargantilhas de veludo com pequenas pedras de dois pontos no centro eram ostentadas pelas jovens mais sofisticadas e, claro, ricas. Está na história, mas a ostentação não dura, caro leitor. A choker virou símbolo punk e depois alternativo, com amarrações de bandanas.

Nem masculino, nem feminino. Apesar de ter seu momento de predileção entre as mulheres, esse adereço veio para conturbar a cena fashion. No Coachella  desse ano foi só o que deu no pescoço dos mancebos mais moderninhos.

O festival de música, já falamos aqui, desponta como cata-vento de ideias e tendências de moda. Então, de certo podemos dizer que a choker que jaz no fundo do baú pode voltar aos dias de glória. E mais: com a subversão de ser um item com a linguem atual do agênero.

Nos Estados Unidos isso tudo surge primeiro. Mas, a cada dia, vimos menos à reboque. Imagens como a de Matt Lauer, jornalista e apresentador do Today Show - programa matutino da TV americana -, que apareceu esse ano com uma choker preta e se disse fã do acessório desde sempre.

 

Antes dele, o ator Bobby Sherman, conhecido pelo sucesso do Getting Together, começou a usar bandana no pescoço, fazendo o complemento parecer ainda mais incrível. Certa vez o vi colocar um anel com pedraria no meio do nó que ficava repousado sobre o peito e copiei. Lembro do deboche que fez ao dizer que havia dado um up com guarnição de ouro no lenço de 2 dólares.  

Você pode até nem acreditar no que digo, meu amigo, porque nas ruas são poucos os caras que tem colhão de usar algo que está no olho do furação, dividindo opiniões. Mas, no dia que for reparar os antenados se vestindo para os eventos mais concorridos, me dará razão: a choker veio para um revival pomposo e restritíssimo.

A prova para quase tudo nos dias de hoje está na internet e foi a ela que me rendi em buscas. Encontrei a gigante de e-commerce Asos, do Reino Unido, com uma sessão só de coleiras masculinas. Vários tipos, materiais e preços. Quase tudo já esgotado, logo após o lançamento.

Choker – vamos combinar que o Eike Batista e a Luma de Oliveira também sabem disso – é um produto com alta carga fetichista. A submissão de mostrar o nome de um “dono” na coleira, quando é pública, gera, como agora, comentários mais de vinte anos depois. Na cor preta o látigo é ainda mais forte, nos deixa de joelhos.

Bandage, couro, correntes e mais. Tudo isso tem muito valor quando se fala de um futurismo muito menos limpinho, funcional e tecnológico, como a maioria costuma imaginar. Então, palmas para Kim Johnes, estilista da Louis Vuitton, que super nos representa nos campos do abstracionismo, da ideia e da ação.

Foi por ele desenhado o comeback da choker, bem antes do Coachella e das aparições em figuras da tevê, há que se registrar. O desfile de primavera de 2016 da grife francesa trouxe o que a mídia especializada traduziu como um misto de sentimentos sobre o futuro. Não há bolhas. E, encoleirado, arrastar-te-ei.

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