Hora do tuxedo dinner

25.02.2017

O que é registro histórico não muda, mas o símbolo de uma grande mudança anotada nos livros pode ser atualizado o tempo inteiro, sem data limite. Com o smoking, peça icônica do vestuário masculino, rola os dois tipos de registro.

A referência que temos é de black tie, do suprassumo da formalidade, do clássico. Mas, na verdade, o smoking foi criado como alternativa à casaca, o traje mais pomposo de todos. Sua origem é do ano 1860, criado pela empresa Hanry Poole & Co. para o então príncipe de Gales – posteriormente rei Eduardo VII – trajar em jantares menos formais.

O nova-iorquino James Potter encomendou um modelo igual para si e o usou no Tuxedo Park Club. A peça virou referência e foi copiada por outros membros da agremiação. Hoje, passados 156 anos, existe uma nova linha de “smoking”, chamada de tuxedo dinner. Caso nunca tenha ouvido falar nisso, caro leitor, saiba que numa roda qualquer, quando o assunto for moda, pronuncie “tâqsidou”.

A versão mais moderna da jaqueta de jantar não precisa necessariamente ter lapelas de seda ou cetim. Caso o tecido já possua um brilho leve, ele pode tomar conta de toda a peça e ela ainda assim pode ser chamada de smoking. Foi-se o tempo em que a gola precisa ser preta. Flexibilizando, ganhamos contornos fashionistas.

Confúcio sempre foi muito estudado pelo viés da semiótica. Quando disse que “uma imagem vale mais do que mil palavras”, o pensador político e filósofo queria fazer justamente o paralelo da comunicação que não precisa dizer palavra. Visualmente muito do que se quer dizer é mostrado. Apenas isso, Mas virou expressão popular que vale para tudo.

Vivemos um tempo em que o visual é extremamente importante, muito valorizado.  Não falo aqui da Era da Imagem, caracterizada por pessoas jurídicas que denotavam preocupação com o ser sustentável para seduzir consumidores, ainda que a relação fosse claramente estrategista. Isso durou mais ou menos entre 1990 e 2000. O momento é imagem, mas uma imagem que vale para pessoa física, para mim e para ti.

Entre nós dois sempre haverá o ele – ainda que distante. E quando falamos especificamente no smoking fashionista, é preciso registrar que a modernização de peças clássicas é a tona dos tapetes vermelhos abarrotados de celebridades, aturdidos de delicadezas. Para eles – ou nós em um momento de apresentação ou evento com pegada de moda – a calça feita com o mesmo material é outra proposta que já datou.

No smoking tradicional a calça tem uma faixa lateral de cetim ou gorgorão. Quando não é isso, a peça de cima vem acoplada com um colete. A camisa apresenta brancura impecável de propaganda de sabão em pó e desenhos especiais como o peitilho plissado. A gravata é invariavelmente borboleta e colarinho pode ser francês. Sapatos de couro ou verniz e forma alongada. Preferencialmente que tenha bico arredondado. Que me perdoem os novos ricos e nordestinos arretados, mas os bicos quadrados, ainda que longos - funcionam para outras situações, não para o black tie. É uma pegada muito vaqueira, convenhamos.

A lapela merece um parágrafo isolado. A mais interessante é a xale, nisso não há controvérsia. Com pegada mais atemporal temos a arredondada. E a pontuda é a que mais risco apresenta: caso o corte do traje não seja impecável e absolutamente moderno, pode parecer ultrapassada.

Agora esqueça tudo isso que foi dito, toda e qualquer formalidade. O smoking fashionista é o preferido das marcas hoje em dia. Eles têm um ar rockabilly e devem estar completamente conectados com o momento: é a ressalva que faço.

Num país tropical e informal como é o Brasil, nos acostumamos com a flexibilização do dress code. Mas o código das roupas precisa ser entendido e respeitado, como já falamos algumas vezes nessa coluna. A margem foi aberta justamente porque temos poucas ocasiões formais e o smoking é investimento. Para que ele não fique muito tempo parado, há quem defenda até seu uso com camiseta e calça jeans.

O que mais vale, além de pesar o conforto, é tentar equilibrar o tipo do evento e a importância de passar a imagem adequada. No demais, cabe a ousadia. Dia desses me vi numa situação como essa e não hesitei em usar estampa, calça descoordenada e sapato sem meia. Fiz isso para subir no palco e apresentar o concurso de Miss Natal e Mister RN 2017, não faria a qualquer tempo ou em muitos outros lugares. Lá funcionou.

* Texto originalmente publicado no Novo

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