Mais cor, menos páginas em branco

27.12.2016

Nada de prata, queremos dourado. Amarelo no mínimo. Superstições em nível máximo para superar esse ano de economia difícil. É triste ver até o comércio definhando, sem as luzes de Natal que encantaram até João de Santo Cristo, como cantou Renato Russo no Faroeste Caboclo que embalou nossa adolescência. Embora apagadas, as lojas têm suas vitrines brancas, sendo essa a situação a que mais me deixa aflito, devo confessar.
Não é apenas pela monomania da ausência de cor. Falta criatividade no negócio. E, talvez mais grave, falte entendimento sobre a razão de vestir cada cor na virada de ano. Usar branco, caro leitor, não tem a ver com paz ou essas coisa que já dataram até para o universo de Miss. Branco, desde sempre, foi a cor escolhida pelos praticantes de candomblé que, lá pelos idos de 1970, começaram a ser reunir, todos de branco na praia de Copacabana, para oferecer flores e perfumes a Iemanjá. 
O branco foi introduzido na nossa cultura miscigenada como o encerramento do rito de purificação que esses grupos religiosos pregam. Como é um ritual bonito e estava bem aos olhos da mídia e dos turistas, no mais popular réveillon do Brasil, terminou pegando. Para alguns, isso parece estranho - incluo-me -, sobretudo porque temos quase 65% de brasileiros católicos.
Nos séculos passados, observe na linha histórica, a massa de roupas brancas era inexistente. A virada de ano existe por aqui desde o ano de 1582, adotada do calendário gregoriano, seguida da tradição católica. Mas é certo também que muito mais mudou com o passar do tempo, até mesmo a forma de chamar a festa. O termo réveillon, digo por curiosidade, surgiu apenas em meados dos anos 1885, quando na França virou moda a celebração em torno de uma “refeição noturna” chamada de reveiller.

Amarelo, volto a dizer, vai ser uma cor muito forte no verão e até no próximo inverno. Está na temática oriental - sobretudo de folhagens - de muitas coleções ao redor do globo. Laranja, por segundo, também é uma cor energizante das que precisamos. Já a pureza do branco pode ser facilmente substituída pelo verde-aposta da Pantone, do qual tratamos aqui na semana que passou: greenery. Depois de um ano difícil, o frescor do verde é muito bem-vindo.
Há outras apostas para o ano vindouro que podemos adiantar e servirão para colorir a queima de fogos, a começar pelo rosa.  Cada vez mais aceita no visual masculino, essa cor sai das camisetas e camisas para ganhar bonés, shorts, jaquetas leves e eteceteras. Além do rosa quartzo, que é uma das cores de 2016, virão muitos outros tons. E já que falamos em jaquetas fluidas, entremos em outro tema: sobreposições leves.
Sobrepor, na moda, significa deixar a produção mais equilibrada em volume e no entre estações. Pode ser verão, mas com carinha de quase outono ou final e primavera se as peças forem levinhas. Regata com camisa de manga curta, por exemplo. Esqueça a ideia de que sobreposição é feita apenas com a jaqueta de couro que você leva à Europa ou a jeans em qualquer chuvica pelo nosso Nordeste. 
Acessórios também são base de sobreposição. Camisa amarrada, suspensório e até lenço. Experimente ainda trocar o blazer invernal por um belo colete nas ocasiões mais formais e verá a diferença que faz. 
Da onda do oversized surgem as sleeveless para as nossas praias. Essa é a camiseta sem manga, mais solta e super cavada: uma regata para os dias quentes e gente esbanjando estilo e boa forma. Veio do streetwear, mas já surfa em outros espaços e pode invadir sua noite de réveillon. Quer personalizar? Corte uma das camisetas que já não usa mais tanto e aproveite o melhor DIY. 
O que é seu e mostra personalidade é quesito de luxo, muito mais que roupa nova e alvinha feito propaganda de Omo. Napoleão, já disse outras vezes, tem muito de ditador e nos deve um montão. Proibiu, no século XIX, que as damas da corte repetissem vestidos em aparições públicas e criou uma cultura absurda de desperdício. Lendo as razões históricas a gente também encontra amparo na economia. Aquela medida era para proteger a indústria têxtil do país em tempos de crise. Havia motivo, mas não era para virar obrigação social até hoje.
Vivemos o novo e que 2017 venha realmente assim. Oxalá seja! 

 

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal
 

Please reload

Destaque

O que comprar em promoção?

08.07.2019

1/6
Please reload

O CRICOFELIX.COM é o site criado pelo jornalista Cristiano Felix sobre tudo o que interessa ao dândi moderno: tecnologia, moda, comportamento, gastronomia etc. As imagens contidas podem ser creditadas ou reproduzidas de fontes externas. Caso você tenha os direitos sobre qualquer imagem publicada aqui e não quiser que ela seja veiculada, entre em contato para que ela seja prontamente removida.  

Categorias:

Comente aqui:

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now