Verde para revitalizar

26.12.2016

Vivemos uma época de grande tumulto social e político. Por essas bandas e mais para lá. Eu e você sabemos disso, a Pantone também. Para transmitir esperança aos problemas globais e enfatizar a conexão com a natureza, a empresa norte-americana conhecida mundialmente por seu sistema de cores elegeu o greenery como a cor do ano de 2017.
É uma bela mescla de verde militar com amarelo cintilante. O greenery (15-0343, na escala) repagina o antigo “verde-folha”, preservando seu ar refrescante e revitalizante. A cor é uma representação do espírito das florestas nos primeiros dias da primavera, quando as folhas amareladas que não caíram durante o inverno voltam a ficar verdinhas. 

Não precisamos ir muito longe para confirmar as previsões da Pantone. Esse ano, pela primeira vez desde 2000, a empresa elegeu duas cores – azul serenity e rosa quartz – para representar o momento decisivo para da defesa da igualdade de gêneros. Vimos a moda agênero muito forte no exterior e, por aqui, a C&A deu um belo tapa na cara dos mais conservadores – cantores gospel, inclusive – ao lançar um comercial defendendo que roupas devem ser feitas para pessoal. Uma verdadeira ode à liberdade.
No ano anterior, com tantos conflitos globais, guerras e refugiados fugindo da Turquia e entrando na Alemanha, notadamente, a cor era o marsala. Pra quem não lembra, era um tom de vinho amarronzado, bem sangrento e dramático.  
A cor é definida pela empresa depois de uma ampla pesquisa de mercado e de comportamento da população. A Pantone reúne um grupo de 40 estudiosos de todos os continentes para deliberar a respeito da situação e necessidades do mundo, tendo em conta aspectos sociais, econômicos e que também reflitam as tendências atuais das indústrias da moda, música, cinema e design. É por isso que o resultado é sempre certeiro e a divulgação a cada ano aguardada com fervor. Instantaneamente as peças que tem a cor do ano passam a ser mais desejadas.
Só pra se ter uma ideia da minúcia com que isso é feito, cada cor da cartela Pantone tem mais de dois mil tons diferentes. 

Nas passarelas internacionais, várias grifes apostaram no greenery. No rol estão nomes como Balenciaga, Kenzo, Michael Kors e Pucci. Outras marcas apostaram no Kale (couve) ou no pink yarrow. O tiro nem sempre é preciso, mas muitos foram os que acertaram.
Poucos meses antes de as coleções serem pensadas, o Instituto Pantone lançou um novo livro, o que acontece em média a cada dois anos, ente 18 e 24 meses. Em Reveal, foi dado destaque a dez cores. 
A seção incluía cores de uso sazonal e sugestões de combinações harmônicas entre elas. O equilíbrio acontece entre tons muito chamativos e outros bem menos saturados. A ideia da empresa se baseia em correlações: entre o real e o irreal, o presente e o ausente. Aí está a primeira orientação: o verde do ano deve ser usado com uma cor sóbria. Para os que não querem usar na composição, é bom combinar com cinza (sharkskin, 17-3914) o marrom poter´s clay (18-1340) ou mesmo o azul Riverside (17-4028).
O que pouca gente sabe é que vermelho e verde combinam muitíssimo bem. É claro que precisa ter bom senso na hora de usar as cores juntas, mas essa casadinha pode ser uma importante aliada. 
A experiência foi feita pela própria Pantone no ano de 2013, quando a empresa elegeu o verde esmeralda. Naquela época a banda Restart fez a festa com calças coloridas e, aqui no Brasil, o visual ficou meio manjado por ser associado ao público adolescente-bobinho. 
Por sorte, dessa época pra cá, os marmanjos dessas bandas venceram o conservadorismo. A variedade de verde cresceu e impressiona: verde água, musgo, bandeira, limão e, claro, o militar. Por ser a cor usada no uniforme do exército, é considerada muito masculina. Invernal também é, mas não duvide se o verde invadir a praia já nesse verão. A moda, caro leitor, está cada vez mais dinâmica.

 

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal
 

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