Freddie, subculturas e transformação: 25 anos depois

26.11.2016

Seu poderoso tom de voz ou o enérgico jeito de mover-se nos palcos, nada disso teria o mesmo efeito se Freddie Mercury não tivesse uma imagem tão autêntica. Fazer a simbiose entre o visual e a música era algo que estava nos planos dos integrantes do Queen desde o início da banda. É assim até hoje, mesmo completados 15 anos de sua morte: uma questão de legado.

O britânico Adam Lambert, atual vocalista, soube se inspirar em um dos maiores ídolos da história da música. O estilo rock glam exageradíssimo, cheio de pedrarias, tem sido visto nos principais palcos do mundo. Aqui no Brasil, durante o Rock in Rio, foi um verdadeiro show. Freddie desafia entendimentos de vida e morte.

A lembrança apareceu de forma casual num primeiro momento. Abri a página do YouTube para assistir vídeos sobre um assunto que estava pesquisando e, de repente, algo me indicou uma batalha de vozes entre os cantores Afonso Cappelo e Peu Peu Kuyumjian num programa de talentos da Rede Globo. Li aquilo como um anonimato completo. Passaria batido não fosse “Love of my life” a canção escolhida.

Vi outras interpretações clássicas dessa música no segundo minuto até que, bem pouco depois, o que fora vendido como acaso, revelou seu propósito. Numa das páginas que abri havia a data de morte de Freddie, 24 de novembro de 1991. Ontem completou 25 anos que uma broncopneumonia em decorrência da Aids tirou dos palcos um dos maiores artistas que o mundo já conheceu.

Poucos sabem, mas a música feita em homenagem ao seu grande amor, Mary Austin, tem uma relação estreita com a moda. Conta a biografia de Freddie Mercury escrita por Selim Rauer que ele e Mary se conheceram quando ela trabalhava na loja Biba, no Kensington Market, um bairro descolado na parte baixa de Toronto, no Canadá.

Desenhista habilidoso, Mercury teve um brechó em parceria com Roger Taylor nessa mesma área até o ano de 1974, quando o grupo musical alcançou definitivamente o estrelato. Anos antes, no início da carreira de cantor, ele mesmo desenhava e costurava seus figurinos de apresentação.

O que hoje conhecemos como calça skinny era uma das marcas registradas de Mercury e a peça estava sempre ao lado de regatas de alças finas. As calças eram feitas em couro ou vinil e tinham cores chamativas e, ainda que parecesse muito, foi essa a versão mais polida do artista. “O look era mais viril, um jeito mais severo, menos fantasioso”, assim foi descrita por Rauer a época do clipe “Play the game”. Nos pés sempre havia sapatilha de boxeador e por cima da regata, de quando em vez, pousava uma jaqueta de couro.

Além dessa, para mim, há pelo menos três fases marcantes e que mostram que o estilo de Freddie Mercury evoluía assim como o grupo. No início o ar era completamente dark, num estilo conhecido como boho goth. Foi no início dos anos 1970 que o cantor criou o hábito de guardar de duas a três horas para se preparar no camarim, antes das apresentações. Inspirava-se no Black Sabbath e no Fleetwood Mac e carregava na maquiagem.

Importante também foi quando conheceu a estilista Zandra Rhodes. O quarteto estava a caminho do segundo álbum: Queen II. O figurino era completamente diferente em conceito, mas também muito extravagante. Foi desenhada uma blusa branca de cetim com mangas plissadas. Quando ele abria braços, parecia ganhar asas. E Freddie voou com o Queen. Na capa do disco outra grande referência de moda. Mick Rock fez a mesma pose, com as mãos cruzadas sobre os ombros, de uma famosa fotografia de Marlene Dietrich.

Tudo era muito extremo e crescia em escala espiral. Quando Bohemian Rhapsody foi lançada, os shows eram apresentações monumentais, dignas de aparições da rainha britânica. Exatamente por seu desempenho nessas apresentações e no clipe, lançado junto com a música, que Freddie foi considerado “Deus do rock” pela revista Rolling Stones. O lançamento da música, quiçá a mais visceral da discografia, é apontado como flecha para a criação de canais de música como a MTV, o que só aconteceu sete anos depois.

A magia do cenário, a exuberância das coroas, os 36 dentes que lhe renderam bullying na adolescência e que ele nunca extraiu por medo de que alterasse sua voz, a opressão sexual e a vida transgressora; o vírus HIV e a doença assumida publicamente um dia antes de sua morte; um cronograma minucioso a desencantar imprevistos. Tudo isso conta a história de Freddie Mercury de um jeito tão claro quanto seu estilo que nos diz de forma direta: não há mais nada o que declarar. E é por isso que hoje e sempre renderemos homenagens. 

 

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal

 

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