Animal print, só para os feras

05.10.2016

Cambia a estação, as formas e apostas, mudam também as cores e aromas. Dessa vez o mundo fashion se volta para o perfume descontraído e ousado da Kenzo, marca de luxo que é a nova parceira do magazine H&M. Preparem-se porque os caras vieram prontos para dar o bote, com muito animal print na coleção masculina.

Ousado, indefectível, porém por vezes questionado; diferente, luxuoso, talvez exuberante demais para alguns. Não faltam adjetivos para esse tipo de estampa, mas o abre alas sempre deveria ser esse: imperial. O animal print entrou para a história da moda quando foi adotado pelos monarcas. Antes disso, aparecia como forma de defesa, nos primórdios da humanidade. Não havia ainda a intenção de diferenciar os indivíduos. Muitos historiadores colocam esse período no caderninho porque já se notava a fascinação pela força dos animais selvagens, que parece estar gravada no DNA do homem. Mas, na verdade, todos os nossos ancestrais usavam contra o frio, não havia outra forma de proteção.

Sobretudo na Europa, a civilização antiga tinha a roupa com animal como status de poder, vide o príncipe Henry da Prússia. Isso porque a indústria têxtil ainda não tinha tantos recursos e o que aparecia dos felinos era pele de verdade, um produto caro, para poucos, como é até hoje. A diferença era que até ali o uso não era questionável. Hoje o PETA e outros grupos trabalham a conscientização de forma até bem radical, quase extremista. É um verdadeiro salva-se quem puder. Poucos se arriscam a peitar essas feras e o que elas fazer de estardalhaço na mídia.

O cinema mostrou Tarzan em 1930 e Busvine lançou o primeiro vestido com tecido de animal print de que se tem registro, na França dos anos 1936. Era assimétrico. Jeanne Paquin atacou de leopardo pouco depois. Dior de onça no final dos anos 1940 com um vestido chamado África, na sua coleção de primavera/verão. Nos anos 1960 Jackie Kennedy usou pele, num casaco criado por Oleg Cassini, e foi seguida por estrelas do cinema como Catherine Deneuve e Marilyn Monroe.

Gente grande fez a estampa animal ser associada a vulgaridade. O crédito negativo é dado merecidamente a Versace. Já Yves Saint-Laurent e Roberto Cavalli abusaram, da criação para o bem. Enfim, tivemos altos e baixos em quase um século.

A nova coleção Kenzo em parceria com a H&M tem as cores do rock glam. A zebra é verde limão e preta e outras pirações seguem. Amarelo flúor e pink também ganham espaço, assumindo e extrapolando o exagero. Para defender essa proposta não havia atualmente escolha mais oportuna. O cantor norte-americano Chanceler Bennett, conhecido como The Rapper, foi eleito representante. Ele fala de suas escolhas, mas também de toda a tribo desse estilo musical.

Música é moda, ninguém duvida. E quando as cores diferenciadas explodiram nesse cenário, a autoridade era dos roqueiros. Foram ícones como Steven Tyler e Kurt Cobain que abriram caminho para a lei primordial do estilo: tudo é possível!

Zebra, cobra, onça, tigres e leopardos. Os ora possíveis abriram espaço até para a estampa de vaca. Acredite, caro leitor, há quem ache que ela fica bem em algumas situações. Assim os anos 2000 começaram.

A personalidade forte da Kenzo está impressa desde os croquis. Depois de prontas, as roupas chamam ainda mais atenção. É que no meio dos modelos impossíveis surgiu uma inesperada atualização, ponto trendy irresistível. Abreviando a conversa, o termo inglês quer dizer tendência. E ela se reflete em calças mais ajustadas, bem skinny, e blazer mais amplo sobre. Os tecidos mais brilhantes são usados em peças esportivas e assim a brincadeira da moda dança.

Muito mais ainda está por vir – que rufem os tambores! Apenas um par de imagens foi divulgado e a coleção só será lançada a 3 de novembro, quando devem também se vestir das cores e da força felina os músicos Ryuichi Sakamoto e o astro do hip-hop Xiuhtezcatl Martinez.

 

* Texto originalmente publicado no Novo

Please reload

Destaque

O que comprar em promoção?

08.07.2019

1/6
Please reload

O CRICOFELIX.COM é o site criado pelo jornalista Cristiano Felix sobre tudo o que interessa ao dândi moderno: tecnologia, moda, comportamento, gastronomia etc. As imagens contidas podem ser creditadas ou reproduzidas de fontes externas. Caso você tenha os direitos sobre qualquer imagem publicada aqui e não quiser que ela seja veiculada, entre em contato para que ela seja prontamente removida.  

Categorias:

Comente aqui:

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now