Match point da camisa polo

29.07.2016

Conforto é a palavra de ordem. E ela está para a moda como os navios estão para a água. Na analogia a conclusão é obvia e geral, por isso eu me dou o direito de usar: simples assim. Com a ação de vestir existe uma similitude, apesar de conforto ser apressadamente interpretado como comodidade por uns. Longe do simplismo, ele tem aspectos subjetivos e outros bem práticos, como a comparação com experiências passadas.

Kelly Slater, o maior surfista profissional de todos os tempos, escreveu no Jornal da Indústria Têxtil dos Estados Unidos, no ano de 1997, um artigo chamado “A avaliação de conforto”, no qual provocava o leitor a examinar as sensações já vividas. É na base da comparação que a coisa funciona. Ou, para um esportista de alto nível, importa “a ausência de dor e de desconforto em estado neutro”. 

Gravata apertando o pescoço, sufocante; calça abrochada na cintura ou uma camisa curta que faz você puxar para baixo, forçando a fibra do tecido a alargar. Todas essas situações são incômodas e marcam. Viva qualquer dessas experiências e você também, caro leitor, passará a buscar o conforto na hora das suas compras. Não digo que será uma prioridade, mas uma procura. Até porque a moda é muito imagem, linha estética, percepção sensorial e também flerta como os processos psicológicos de autoestima e desejo. Cada um ordena sua lista.

Jogadores americanos de tênis usavam uma camisa de mangas compridas e colarinho duro com gravata até que, René Lacoste, inquietado com aquela restrição de movimento, apareceu no US Open com um pulôver branco de algodão, mangas curtas e gola flexível. Fez sucesso naquele 1926 e imortalizou a camisa polo com seu apelido “le crocodile”. Sete anos mais tarde firmou parceria com o francês André Gilier e o modelo não parou mais de vender.

Das quadras de tênis para as ruas foi um pulo. Essa semana estive eu em um shopping de Natal, visitando uma loja parceira e a gerente me confidenciou que 50% do faturamento da marca na cidade provêm desse produto. Engoli o discurso fashionista dos modelos moderninhos como o longline e o oversized e comecei a investigar razões para tal predileção.

Alguns amigos que trabalham com moda tem posições mais extremadas que as minhas. Não usam camisa polo justamente porque se veem na obrigação de sempre fazer diferente, propor coisas novas. Mas eu acho que ser diferente o tempo inteiro cansa, como qualquer outra imposição. Nem toda polo é coxinha! Eu uso e acho que, assim como numa partida de tênis, sua invenção foi uma jogada certeira, um verdadeiro ace.  

Contesto outro argumento também. A linguagem da roupa sem gênero casa perfeitamente com a polo. Quase todos os homens vestem e muitas mulheres também, influenciadas por Jacqueline Kennedy Onassis, que usava com minissaia, e Audrey Hepburn com calças capri. Afinal, são mais de 80 anos de história e barreiras quebradas.

No varejo o carro-chefe é um produto capaz de alavancar vendas e influenciar positivamente os clientes a ponto de fazê-los conhecer outros. Na Hisgstil nenhuma polo fica encalhada. Todos os modelos têm saída, do mais básico até os de algodão peruano e padrões diferenciados no corpo e no colarinho, num esquema super atual de mesclar estamparias.

Algodão, nós sabemos, pela questão mecânica, é melhor para respiração da pele. Ou seja, funciona melhor para ações cotidianas, maior movimentação. A mistura com poliéster conserva melhor as cores e a peça em geral, mas é particularmente indicada para eventos noturnos e clima mais brando. Discreta e elegante, a polo é uma peça versátil, tão diurna quanto as nossas calças jeans.

Ser simples é mais complicado, já cantou a lisboeta Amália Rodrigues. Por isso, meu caro, sempre observe questões básicas como o alinhamento da costura nos ombros, as mangas no meio do bíceps e o tamanho para baixo da linha da cintura. O corte também é fundamental: se estiver em forma, peça um slin. Fiquei surpreso com o caimento das polos da Highstil e, por isso, recomendo que cogite mudar a logomarca que carrega no peito.

Outro informe essencial: respeite a natureza da polo, ela foi criada como uma distinta peça esportiva. Não precisa sair por aí com a gola levantada para tentar parecer descolado ou colocar por dentro da calça de alfaiataria. Não fica bom! Combinações interessantes e que podem incrementar seu visual surgem do casamento com suéteres e cardigãs, anote.

Da loja eu saí para a pesquisa. Revi alguns conceitos, compartilhados agora aqui. As de listras vão continuar sendo minoria no meu closet - embora não estejam excluídas -, mas a prioridade é pelos padrões mais diferentes, as microestampas e tudo o que for poesia.    

Texto originalmente publicado no Novo

 

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