Sexy sem ser vulgar

27.07.2016

O clima tropical é nosso amigo, fato. Em Natal não precisamos muito nos inquietar com indumentárias de inverno ou mesmo meia estação. E, partindo para as outras cidades essa preocupação é ainda menos cogente. Em Mossoró, por exemplo, a sensação térmica é de um sol para cada habitante. Digo isso sem nenhuma sequela de revanchismo ou prejuízo para a verdade. Mesmo assim, nos alegramos com a chegada do verão.

Em termos de calendário a moda mudou nos últimos tempos. O preview das coleções de verão já começa a tomar as araras das lojas, coisas que outrora só acontecia em setembro. A estação mais quente, se é que se pode tratar assim, só começar oficialmente a 22 de dezembro, mas todas as tendências já foram postas.

Calças pantacourt que deixam os tornozelos à mostra, calçados com salto plataforma, blusas com decote ombro a ombro, jeans com texturas e bolsas com alça de corrente são as opções mais certeiras para elas. Nós homens vamos encontrar ainda mais camisetas longline alongando as proporções, a pegada artesanal dos patches e bordados, saias – já falamos disso na coluna – que aproveitam a onda dos plissados, além do uso de outras referências que antes tinha conotação exclusivamente feminina, como o uso de malha devorê.

É, caro leitor, chega no verão 2017 mais uma confirmação da moda sem gênero. Aceite que dói menos!

No francês, “devorê” significa devorar. As malhas tem essas características de serem consumidas e desgastadas após passarem por um processo químico também conhecido como bournot. Esse processo faz com que os tecidos percam parte da espessura de suas fibras, deixando relevos e transparências em algumas áreas. É o que eu digo: sexy sem ser vulgar.

Dos vestidos longos de baile até as blusas regata com corte nadador: várias peças femininas já têm esse apelo sensual. A diferença é que elas precisam usar algo por baixo, a exemplo de sutiãs e afins, para não sair mostrando os mamilos. Já os homens não precisam de qualquer sobreposição, a brincadeira é mais de mostrar que de esconder. Além de fresquinho, é super confortável, já adianto.

A aparência de desgaste vai na mesma linha do destroyed, uma tendência urbana muito vista em jeans. Desgastados, eles viraram febre de uns tempos pra cá e encontram outra inclinação forte da moda chamada de street connection. Trata-se da junção da cultura pop e dos agitos que a ligam ao movimento rock, num futurismo Blade Runner que abre espaço para a sensualidade do “soft porn” com o retrô dos anos 1050 e da década de 1960. Flerte fatal essa mistura.

O clima sunset, da fauna e flora brasileiros e de destinos paradisíacos como Cuba, Caribe e Jamaica – destinos e temas de grifes internacionais de luxo – e as padronagens geométricas do urbano de Manhattan dos 1990 também aparecem com força. Mas se me perguntarem qual é minha aposta, defendo: o devorê abre todos os caminhos para o encontro da alfaiataria e o esportivo. Ou seja, é moda para qualquer ocasião e hora do dia.

Em tempo: qualquer tecido pode passar pelo processo devorê. Os mais utilizados são malha, seda e rayon, mas a técnica também cai muito bem nos mais pesados e pode ser acrescida de bordados e estampas, a fim de imprimir um ar mais puído e displicente, no bom sentido da palavra.

 

* Texto originalmente publicado no Novo

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