Rock setentão e com tudo em cima

09.07.2016

Vulgarizamos a moda. Franceses lidam melhor com essa questão, pra variar. O termo “mode” designa algo que é costume, guardadas todas aquelas questões de tempo e espaço. Algo que se torna popular, um hábito repetitivo que identifica sujeitos ou grupos. Algumas modas podem ser fugazes, é verdade, mas não deveria haver banalidade na interpretação, mesmo porque existe moda que nunca sai de moda.

Tendência é outro esquema. Foi ditado pela revista que trata de conceito ou percorreu uma passarela estrelada em 20 segundos, isso pode ter apenas caráter de aposta. Se despertar desejo é que tem mais chances de sair do desfile e ganhar as ruas. Moda, caro leitor, é o lado de fora.

Um exemplo? Rock, bebê! Essa é uma moda atemporal e eterna, podemos dizer sem qualquer risco para a verdade. No final dos anos 1940 ela surgiu e foi consagrada na década seguinte, com raízes no blues, country music e na cultura negra. Era a pélvis do Elvis contra o resto do mundo. E não havia quem pudesse deter o frisson que o cara provocava. A jaqueta de couro ganhou grande projeção.

Chegou o contraste dos anos 1970, os terninhos dos Beatles apareceram, mas com a fama veio também o psicodelismo e as letras com cunho político. Na época do grito por liberdade tudo acabava em sexo, cigarrinho de artista e rock and roll.

Nos 80’s o rock se tornou glam, a androginia apareceu junto com maquiagens espalhafatosas e roupas idem.  Já no final da década e durante toda a seguinte o rock era punk, com direito a tachas nas jaquetas e coturnos nos pés.

Até ali era 50 anos de puro rock, de uma moda que soube se reinventar, que ganhou espaço. Os 1990, aliás, na minha opinião, são a melhor fase do movimento. Foi o período da explosão original do grunge, da afirmação do xadrez em flanela como algo absolutamente indiferente ao passar das folhas do calendário. Enfim, demos vivas ao Kurt Cobain, ao Nirvana, e ao underground!

A 13 de julho, a próxima quarta-feira, comemoraremos o dia mundial do rock e as festinhas com o tema devem pipocar nesses dois finais de semana das pontas, antes e depois da data. Esse dia foi escolhido em homenagem a um megaevento ocorrido nos idos de 1985 no qual Phil Collins externou seu desejo de uma data para celebrar o estilo.  Um beijo pra Phil também!

Artistas provocadores de hoje, Lady Gaga, Lenny Kravtiz, Sam Smith e Justin Bieber se encontraram no Palladium, em Los Angeles, no início deste ano. Era noite de apresentação da nova coleção de Saint Laurent, com atmosfera dos anos áureos do rock com uma pegada contemporânea do tipo: quando mais skinny e ajustadas as calças, melhor. Foi um passeio delicioso sobre o tempo e o poder da moda. Os spikes da jaqueta deram lugar aos paetês da era glitter. Tudo com perfume vintage e, ao mesmo tempo, muito inovador.

Jaqueta de couro, meus amigos, é algo que a mim faz suspirar. Tenho a impressão que é a peça mais transformadora do guarda-roupa masculino. Você pode estar com uma camisa de pijama, mas se jogar por cima uma boa peça de pele – que não precisa ser natural, falemos da forma ecologicamente correta ou mais aceitável – a produção será automaticamente transformada.

Qual o motivo? A jaqueta de couro carrega história. Além do preto – o look all black está super em alta –, pode aparecer em tons terrosos e até um vívido vermelho. Perfecto e símbolo da rebeldia: em várias cores é.

James Dean e Marlon Brando também merecem aplauso. A jaqueta para eles era o trunfo para jogar sobre o combo jeans e camiseta branca; as duas peças juntas também são icônicas para a moda. Mais uma vez: pode lhe parecer extremamente comum e até banal, mas nunca deixará de ser uma combinação certeira e sem prazo de validade, como só a moda é capaz de produzir.

Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, assim como você. E a despeito dos meus desejos existe a questão do clima. Longe de mim dizer que você deva usar uma jaqueta estruturada por esse rincões do Nordeste, mas, a partir de hoje, repare se essa não é a primeira peça que você põe na mala quando vai viajar.

Por hora, tire sua camisa xadrez do armário. Use fechada até o peito, aberto por cima de uma camisa com estampa skull ou amarre na cintura. Pode apostar que há alguma juventude que pode ser colocada pra fora.   

 

* Texto originalmente publicado no Novo

 

 

Please reload

Destaque

O que comprar em promoção?

08.07.2019

1/6
Please reload

O CRICOFELIX.COM é o site criado pelo jornalista Cristiano Felix sobre tudo o que interessa ao dândi moderno: tecnologia, moda, comportamento, gastronomia etc. As imagens contidas podem ser creditadas ou reproduzidas de fontes externas. Caso você tenha os direitos sobre qualquer imagem publicada aqui e não quiser que ela seja veiculada, entre em contato para que ela seja prontamente removida.  

Categorias:

Comente aqui:

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now