Solteiros na batalha: apostem no camuflado!

14.06.2016

O mercado erótico não está fácil pra ninguém. Não sei se acredito no modelo total flex – que alguns defendem ter muitas vantagens, diga-se de passagem –, o que faz as opções se afunilarem ainda mais. Para os solteiros que estão na luta, daria um conselho bem simples: entrem no camuflado na hora de dar o bote certo!

Cultura, história e moda marcham tão lado a lado que é fácil encontrar exemplos. Hugo Boss se tornou um deles ao desenhar modelos de uniformes para os soldados, durante o período da Alemanha nazista.

Até o século XIX as fardas empunhavam uma simbologia muito nacionalista e todos os países tinham seus uniformes com as cores das bandeiras. Só a partir da Primeira Grande Guerra, com o aumento do poderio de armas de fogo, os exércitos sentiram a necessidade de se camuflar. O verde e os tons pastel ganharam espaço.

No contexto urbano e da paquera, o tradicional camuflado se esgotou, deu espaço ao concreto e todas as nuances de cinza; mais de cinquenta tons estão no jogo, pode apostar!

Ainda mais agressiva quando o quesito é inovar na estratégia, a moda mostrou suas armas, começou a jogar com diversos tons e o camuflado se transformou completamente. Hoje nos expomos, brincamos com as cores, vamos dos primários azul, amarelo e vermelho até chegar aos tons berrantes, como dizia meu avô. Para os fashionistas isso é flúor. Em resumo, o camuflado deixou de ser algo para passar despercebido, já que desapercebido ninguém vai também. Conseguir se destacar é palavra de ordem.

 

A carioca Wosmock tem seu inverno tropical cheio de camuflado e a grifada Balmain incrementa as peças com patch desde o inverno passado

Camuflado é uma estampa clássica e, claro, maximalista. Desconheço esse tipo de padrão funcionando num tamanho mais reduzido. É assim que fazem as linhas masculinas de marcas como Osklen e Alexandre Herchcovitch e outras exclusivamente pensadas para nós como Marcelu Ferraz e Wosmock.

Tampouco é preciso ser duro, usar tecidos pesados. Num país tropical como o Brasil, os fluidos e brilhos são uma realidade inclusive para os homens.

Um evento normalmente requer mais formalidade e o camuflado é mesmo esportivo, por mais arrojada que seja a pegada da peça, ela não deixa de ter o caráter utilitário. Vesti e fui com a cara e a coragem apresentar oficinas de um festival gastronômico de um shopping da cidade no final de semana passado. Já na primeira foto disparada no instagram, o gatilho do retorno veio em forma de comentários. De uma leve amostragem, julgo que as pessoas se identificaram e gostaram daquilo. Eu estou falando de uma jaqueta bomber de cetim, com o brilho um tanto suavizado pela lavagem com pedras, feita ainda na fábrica – o mesmo processo usado para detonar calças jeans. Essa é minha peça fetiche da estação.

A jaqueta bomber é um artigo icônico. Feito normalmente em material espesso, tem maleabilidade na malha sanfonada dos punhos e da cintura. O primeiro modelo de que se tem registro foi criado pelo paraquedista Leslie Irvin para se proteger do frio e chamado de A1. Em 1917 a Força Aérea Americana adotou a bomber jacket como modelo oficial. O masculino virou feminino com Amelia Earhart e um século depois já é completamente sem gênero.

Quer saber de outras evoluções do estilo militar? O casaco na altura da coxa que deu origem ao elegantíssimo trench coat. Ou mesmo o jeans que ganhou vários bolsos e inspirou a alfaiataria utilitária. Isso sem falar do estilo Top Gun que é imortal e nos óculos Ray Ban modelo aviador que arrematam qualquer produção.

Hoje somos múltiplos e multicolores, mas nunca o verde militar – observem bem como ele foi batizado – deixará de ser alta referência do estilo. É dos mais fáceis de compor também. O combo jeans, camisa básica e botas é suficiente para começar a se exercitar no militarismo. Se você está em treinamento, experimentando combinações, lembre da dica mais interessante e que vale para qualquer padrão: nunca saia com muitos elementos iguais para não correr o risco de parecer fantasiado.

Para os mais treinados há outro direcionamento. O “over” está na moda e não há nada mais interessante que apostar no mix de estampas. Com xadrez vira rocker; o floral chega para tropicalizar qualquer humor e a aplicação de patches é mais que permitida: se faz necessária. Faça sua (des)combinação e vamos à luta!

 

*Texto originalmente publicado no Novo

 

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