Patch cola outra vez

26.05.2016

Dá vida ao jeans, colore e destaca a peça, dando um ar desconectado do presente. Nesse jogo de adivinhação o último elemento pontuado pode ser mais pegadinha que dica, vou logo avisando. Mas, para quem acompanhou o último desfile da coleção Fall 2016 da Gucci, matar essa charada é fácil.

Claro que eu estou falando dos patches – aqueles decalques, como diria meu avô – que surgiram como elemento de moda, aplicados em jaquetas e calças índigo, nos anos 1940, tiveram sue ápice nos anos 1970 e logo depois disso sumiram do mapa. Refazendo: haviam sumido. Sim, eles voltaram!

Não foi a Gucci quem relançou, fica o destaque. Mas é importante observar que a peça que atualmente é hit entre os fashionistas do mundo inteiro é justamente uma jaqueta jeans carregada de patches da grife italiana. No site da marca ela sai pela bagatela de US$ 4,5 mil. Excessivamente cara e de um estilo bem fácil de copiar, aplicando todos os seus conhecimentos e tutoriais DIY (“Do it yourself” ou Faça você mesmo) do YouTube. De quebra ainda sai algo personalizado, com sua cara, os patches de bandas e cartoons que mais curte. Enfim.

A da Gucci saiu da passarela para os editoriais e foi instagraneada com velocidade e avidez por celebridades como Chiara Ferragni. Terminou influenciando digitalmente outros tais. Rihanna e Alessandra Ambrósio também apostam no estilo, assim como o cantor Joe Jonas. A blogueira brasileira Maga Moura aderiu desde o London Fashion Week, quando vestiu isso da cabeça aos pés.

A aposta é assim mesmo, tem uma verve poderosa, nada de investir em pequenas pinceladas. O negócio é usar muitas aplicações na mesma peça, extravasar. Ou seja, se não for pra dizer a que veio, nem saia de casa.

Patch na jaqueta jeans é muito bacana, né? 

 

No centro de Manhattan, mês passado, minha companheira no Programa #SemFrescura, Flávia Pipolo, foi colocada em uma saia justa, literalmente falando. Uma marca que a contratou para fotografar pelas ruas de Nova Iorque mandou uma saia jeans com algumas aplicações divertidas, o que dava uma cara muito colegial. O problema é que nenhuma das outras peças dialogava com ela. Eu até tentei ajudar na produção, mas a gente conversou e ela decidiu por não publicar a foto. 

O desenho de patches é totalmente street. Pode-se misturar com malha e até couro, por exemplo, mas os tecidos finos e desenhos vaporosos deixam a produção desconectada demais. Semanas depois, pelo corredores do SPFW eu e Flávia encontramos o estilista Walério Araújo e ele já estava com a sua jaqueta carregada de patches e outras dezenas de aplicações. Havia bordados, broches e pelo menos uns três quilos distribuídos entre o peito e os ombros. Não é uma peça para todo dia, tampouco para o dia todo. Apesar da simplicidade dos elementos, juntos eles são para causar!

Iódice nunca deixou de usar, apesar de algumas vezes mais e noutras menos. Ronaldo Fraga ampliou sua parceria com a Haco e no desfile da coleção “Amor”, ano passado, presenteou os convidados com um patch gigante de coração científico, mas cheio de poesia – daquele jeito que só ele sabe fazer.

Dia desses em São Paulo eu entrei no clima com esse maxi moletom e bermuda na mesma vibe do estilista Marcelu Ferraz. Adorei!

 

Marcelu Ferraz, outro cara que eu adoro, vocês já sabem, está investindo nessa pegada na sua atual coleção de inverno. Essa semana, no meio de uma conversa, ele me falou que o público masculino está começando a entender os patches e aceita bem nas peças de cima. Em bermudas e calças ainda existe uma certa resistência, o que fez com que ele começasse a vender as roupas sem as aplicações e entregasse os acessórios de customização para que a pessoa ponha quando queira.

É fácil customizar. Os patches podem ser de tecido bordado ou termocolantes, daqueles que a gente aplica com ferro de passar em casa mesmo. Como tudo hoje está mais popular e acessível, é fácil de encontrar em lojas de aviamentos.

Falamos em saudosismo, em descontração em tempos difíceis: essa é a linguagem dos patches. Nós, que esperamos dias melhores, talvez não apostemos que eles durem tanto, mas nessa janela curta certamente serão muito vistos. Depois a gente vai descobrir novas maneiras de desanuviar e a onda, longe de modismos, vai continuar com a galera do rock e os grupos de motociclistas.

Eles, aliás, devem estar achando muito chata essa popularização dos símbolos dos clubes de moto. Paciência! A garantida de mobilidade precisa ser de todos nós, não de um só grupo. Isso é democracia.

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