Três temas centrais do inverno 2016

16.05.2016

Das passarelas para a rua, vamos nesse sentido. Independentemente do que foi apresentado como tendência, temos nossos gostos pessoais e julgos do que é certo e errado ou o que cabe por hora. Quando o pensamento é coletivo, claro, a força é maior. E o street style vem apontando alguns caminhos para a moda masculina nessa temporada que é ora verão ora qualquer coisa menos inverno. Os caminhos tem nomes esquisitos como as placas do Ushuaia. Estão sendo chamados de “Je suis moderno”, Vitoriano gótico” e “Boho 4ever” – vou explicar tudo nesse texto para que você, caro leitor, não ache que eu também pirei.

Tenho dedicado um bom espaço dessa coluna semanal a cobrir temporadas de moda e campanhas. Mas, devo aqui fazer um alerta: a moda é bipolar!

Não é nada contra o momento passarela que de quando em vez parece dignificar o trabalho do estilista que sabe o que é chão de fábrica e perrengue, tampouco me oponho ao frenesi desses eventos. Uso a enfermidade para falar de uma certa dicotomia, uma face clara e outra escura; um lado liso e outro crespo, como temos todos nós. A moda é uma persona e também exagera, digamos assim.

Vou tratar aqui o street style como o lado mais alvo pelo seu caráter de honestidade, algo que me parece legitimado pelo coletivo. Muita gente traduz o termo em inglês como “moda de rua”, sem parar para pensar no que isso realmente significa. Eu costumo dizer que é “a voz do povo”. Não leva em conta credo ou classe social, etnia ou preço. O valor de cada coisa não está na unidade, mas no que se faz com ela. Misturou dois itens, vale o dobro ou mais. 

O boho, como já falei diversas vezes por aqui, é um termo que advém de uma tribo de “boêmios do Soho”, uma galera que mescla várias influências numa mesma produção. Isso por muito tempo se fez com looks inteiros, mas agora está numa só peça, é o tal “Boho 4ever”.

Imagine um casaco de inverno com capuz, gola de pele, feito em microfibra e abotoamento duplo, mas com diversos bolsos utilitários; é amplo, alongado, embora conte também com ajuste na cintura. Pronto! Todas essas referências distintas estão em uma só peça e formam a nova maneira de encarar o boho. Como tudo nessa vida, é uma reinvenção.

Pessoalmente, visualizo esse casaco vestindo um homem de barba, com uma camiseta vintage de maxi estampa ou full print. As calças que usa tem o quadril mais solto e afinam a partir do joelho, sendo perfeitas para usar com botas ou sneakers.

Provavelmente, meu caro, nós pensamos na mesma composição. É isso que o street style faz com a gente! Nos ajuda a ver composições inteiras com a grande vantagem de quem não é estilista e coloca no seu cotidiano coisas práticas. As estampas que citei estão nas coleções de quase todas as marcas, assim como as calças que se estreitam no calcanhar, a exemplo da jogger.

Outro tema central da estação traz à tona a estética agressiva do gótico com o efeito rebuscado e a opulência da era vitoriana. As roupas com esse conceito são inspiradas em obras de arte, apresentam estampas craqueladas, inspiradas em caveiras e no sacro. As cores mais usadas são preto, cinza, berinjela e vinho. O zíper das peças vira protagonista, aparece em jaquetas de couro, no bolso frontal de calças retas e bermudas, além das tradicionais jaquetas de couro. Ganham, além do funcional, um efeito decorativo.

A calça jogger – falo nela novamente apenas porque estou fissurado – têm, nesse estilo “Vitoriano gótico”, amarrações inusitadas, como se um blusão tivesse sido amarrado no cós.

A terceira aposta do street style é a modernização de peças que foram hit em décadas passadas, como uma calça de alfaiataria dos anos 1950 que precisa atualizar os quesitos conforto e mobilidade. A simetria e os cortes geométricos tomam conta de peças, misturando texturas e relevos. Tudo precisa ser rico e ao mesmo tempo discreto, sobretudo em peças mais formais como camisas.

 

Todas essas referências que aqui forma ditas podem ser anotadas, mas também observadas nas ruas. É tudo extremamente usual e anda no topo do street.

Acho importante apresentar esses contrapontos, falar do calendário da moda, dos desfiles, mas também ressaltar o como nós, agentes da moda, atuamos no desenvolvimento do estilo e para democratizar as informações. 

Hoje em dia um dos tecidos mais comuns para sofás é o suede. Ele tem uma textura aveludada, um toque que parece uma camurça. Terminou parando em roupas femininas na tal cor camelo – nome ordinário que a indústria da moda deu ao caramelo que outrora já foi sinônimo de cafonice.

Desculpe a digressão, mas é só pra mostrar que a moda feminina, embora parece mais ampla e cheia de opções, por vezes repete a mesma cantiga de grilo. Muitas mulheres que acompanham moda agora estão naquela mesmice do nude e do camelo sem perceber o leque de possibilidades ao redor.

Isso por muito tempo aconteceu conosco. Mas que não se repita no futuro porque agora nós temos informação e desfilamos o que queremos por aí. E viva a moda de rua!

 

* Texto originalmente publicado no Novo

 

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