Verão com nudes e estilo, por favor

28.11.2015

O piriguetismo social invadiu o universo masculino e não precisa mais dezembro se aproximar para as academias ficarem agonizantes para quem faz o tipo normal e não usa GH, o hormônio do crescimento aplicado em pequenas doses, como uma espécie de reposição hormonal, indicada até por endocrinologistas, já ouvi dizer. Muitos jovens querem mostrar peitos de pombo e costas largas na vitrine tecnológica das redes sociais. Nunca vão descobrir o charme de usar um blazer de linho no verão.

Vestir-se bem é uma arte e ela dificilmente será compreendida por todos, assim como acontece com diversos trabalhos vanguardistas: eis o sofrimento de vários estilistas e outros criadores. Estamos falando de uma peça, o blazer, mas também da sua infinita possibilidade de combinações com calças feitas com vários tecidos, bermudas, sapatos, tênis e até chinelos de couro.  

Nunca suei tanto como nos treinos de crossfit, desde julho estou nessa luta. De tanto perder líquido, o corpo realmente seca. Mas não aconteceu completamente com o meu. Ainda tento, acreditando que chegará a vez da barriga. Para não ensopar a camiseta, muitos caras treinam sem e um deles faz isso sem exibicionismo. Toda a turma repara, inclusive eu, no abdômen negativo e no percentual de gordura provavelmente idem de Lino. A despeito da boa forma, ele parece ser uma exceção, namora uma garota da mesma idade, não tem qualquer trejeito de piriguete.

O homem piriguete é real, concordo com o escritor Walcyr Carrasco. Dia desses ele escreveu na sua coluna em uma revista semanal sobre uma amiga que desabafou que queria namorar alguém da mesma idade, já estava cansada de apostar no relacionamento com um jovem ator e ter inclusive idealizado, produzido e patrocinado uma de suas incursões sem sucesso na tevê. Não é nada contra os casais com diferença de idade, registre-se. Até porque as mulheres aprenderam a envelhecer bonitas.

Ternos podem disfarçar costas muito largas, mas numa proposta verão é difícil imaginar um cara marombado combinando essa peça com uma bela bermuda de alfaiataria, convenhamos. Elegância, de uma forma geral, não combina formas avantajadas. Isso vale não só para os homens, mas para as mulheres cheias de curvas. Pode ser sexy, mas o quadril de uma legítima parideira nunca será elegante num vestido longo, no tapete vermelho. 

O verão é democracia, caro leitor. Sempre vão existir espaços para exibir o dorso, sendo a praia o principal deles. Mas existem diversos ambientes que pedem outros trajes que não aquela sunga de coqueiros. Vista-se e comece a ser notado de uma forma diferente. Se for de navy, ainda melhor será o impacto.

Traje marinheiro é meio fetiche, mas já foi sinônimo de virilidade. Os paletós azuis com botões dourados na cintura e nas mangas surgiram da cabecinha extremamente tradicionalistas da última monarca da casa de Hanôver. Rainha Vitória esteve à frente do Reino Unido por 63 anos, casou com um primo direto e fez o casamente de seus nove filhos e 26 dos 42 netos com outros membros da realeza do continente europeu. Haja influência e força de vontade!

Os marinheiros britânicos começaram a se vestir assim em 1837, no primeiro ano de reinado de Vitória. O traje obrigatório logo virou sinônimo de elegância masculina até que veio outra mulher de colhão, Coco Chanel, e instituiu o visual com uma pegada unissex e mais despojada. Para a estilista, o chique era ser básico, sem esquecer o conforto.

O navy reinou absoluto como símbolo masculino por oitenta anos. Coco só ousou subverter essa ordem e coloca-lo no cenário da moda na década de 1920. Fez isso com a valorização de três cores: azul, branco e vermelho. Os acessórios continuaram sendo dourados e a estampa listrada virou uma constante. O mercado recebeu isso com tanta reverência que hoje, quase um século depois, as referências do estilo permanecem intactas. 

Já citei Chanel aqui outras vezes, eu sei. E sei também que ela é lembrada pela maioria como uma exímia criadora de moda feminina, mas o navy, para mim, é historicamente sua melhor colaboração. Que me desculpem as mulheres que destacam o tailleur de lã, o colar de pérolas e o vestido preto – quase uma instituição! Mas democracia é aceitar modas que podem ser usadas, com estruturas diferentes, por ambos os sexos. Numa boa.

Com mais de 7,4 mil quilômetros de litoral, nós brasileiros temos o dever de manter viva a tradição do navy a cada verão. Democraticamente, outra vez, compartilhamos isso com americanos, britânicos, italiano, gregos e quem mais quiser descobrir essa proposta repleta de balneário que vai muito além dos trajes ínfimos, do nosso piriguetismo de sol e mar, cenoura & bronze.

É indiscutivelmente admirável ver um corpo trabalhado, desde o realismo anatômico da estátua de David, esculpida na época do descobrimento do Brasil. Mas a beleza física sempre foi uma mercadoria, até mesmo nos clássicos infantis. Está aí a Cinderela pra provar que o físico e os bons modos contam ponto, mas a elegância pode ser muito mais facilmente ajustada com um belo adorno, seja blazer ou sapatinho de cristal.    

 

Como escolher o blazer do verão

 

Materiais: Dê sempre preferência aos tecidos finos, que permitam a pele respirar. Linho é a melhor pedida, mas o algodão em forma de chino ou gabardine também cai muito bem. E nada de forro! Ou você vai cozinhar lá dentro.

 

Cores: Tons mais suaves sãos os melhores. Os pastel funcionam perfeitamente para eventos durante o dia e o azul marinho não tão fechado para um fim de tarde. Se o intuito é chamar atenção para o blazer, num estilo splash, jogue uma cor viva nele e neutros nas demais peças.

 

Corte: O slim fit é o melhor modelo para quem não está com aquela barriga saliente. Ele pode ser cropped (mais curto) ou tradicional. O punho da manga deve acabar no máximo no ossinho do começo da mão. O punho da camisa pode ter até um dedo para fora, mas você também pode optar por não deixar peeping nenhum, no caso de manga curta.

 

Outras peças: Além da camisa manga longa e da curta, claro, vale usar polo, henley (também chamada de gola portuguesa) ou camisetas: gola vê ou até mesmo regata. Lance mão dos acessórios hankies, como lenços de bolso, chapéu, óculos, pulseiras  e cintos listrados e trançados. Tudo isso vai colocar bossa no seu visual.

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