The Lion: o restaurante galeria de Manhattan

04.09.2015

A arte está em todos os rincões de Nova Iorque: no grafite das esquinas, intervenções nos espaços públicos, nas galerias de arte, clubes privados, restaurantes. E em Manhattan há uma casa que exprime o melhor traço da máxima “comer com os olhos”: The Lion, em Greenwich Village. Além da gastronomia de ponta e da exuberante apresentação dos pratos, as paredes são cobertas por quadros, de telas de Basquiat e Andy Warhol a fotos de David La Chapelle.

O chef John Delucie é o mesmo do icônico Waverly Inn, o ponto de encontro de uma constelação, como registrou o The New York Times: “Em qualquer noite o restaurante recebe uma combinação de bilionários, estrelas de cinema, intelectuais e estilistas, e quiçá um astro do rock ou lenda do esporte.”

A matéria da qual extraí esse texto foi publicada em 2008, um dos primeiros anos áureos do restaurante. O espaço tinha sido recém-adquirido pelo jornalista Graydon Carter, diretor de redação da Vanity Fair. Havia deixado de ser o espaço de encontro de escritores anônimos para reunir todos os expoentes da moda. Não existia telefone, conseguir uma reserva era algo realmente restrito aos afortunados. Uma coqueluche tamanha como a que não se registrava desde os anos 1970, quando o Elaine’s era a referência em exclusividade.

Hoje já não é assim no Waverly Inn ou no The Lion. Pelo menos não para as datas comuns. Para jantar em qualquer das duas casas num feriado como o dia dos namorados é preciso ter bons contatos, mas ambas hoje já disponibilizam a reserva de mesas pela internet. Faça isso com 48 horas de antecedência e a chance de dar certo é maior. É isso ou, no caso do The Lion, se contentar a comer em frente ao bar.

Por falar em bar, alguns drinks merecem ser provados. O Old Man & Sea (rum branco, suco de lima fresco e creme de violetas) e o King’s Cross (Smith e Cross, Velvet Falernum, hortelã, pepino e morangos). Cada um deles sai por US$ 14.

Clássicos americanos

A homenagem no cardápio não deixa dúvidas. Apesar da aparência de salón parisiense, no The Lion não faltam clássicos americanos como hambúrguer e cheesecake. Privilegiar a clientela famosa sem pedir desculpas é só mais um detalhe, portanto.

Muito comum para ser servido como antepasto, aqui a Burrata aparece como primeiro prato. O queijo cremoso – um meio termo entre a mussarela de búfala e a manteiga - original da região da Puglia, na Itália, é executado com perfeição. Acompanha crosta de queijo parmesão, folhas e frutas, como damascos frescos. Outra excelente opção fria que provamos foi o gaspacho.

Na sequência, pedi um Colorado Lamb Loin (U$$ 38). O cordeiro é acompanhado por alface baby na chapa e redução de cereja. Comi muito bem, mas ainda fiquei de olho no prato de Éverton, o Smoked Berkshire Pork Chop (US$ 38). O porco é cozido lentamente e depois defumado. Chega à mesa ainda coberto por uma tampa de vidro. Quando o garçom abre, a fumaça e o cheiro tomam conta. A carne é incrivelmente suculenta e aparece combinada com verduras e bacon.

Como já disse, o cheesecake não podia faltar no cardápio – e claro que eu pedi! Na versão do Lion são combinados caramelo de uísque e chocolate. Outra que merece ser provada é a Panna Cotta com mix de frutas vermelhas, creme de baunilha e toque de limão.

Para os que querem brindar com vinho, a carta é bastante extensa. Os rótulos começam com US$ 50 e podem chegar a US$ 1.150. Ou seja, numa refeição completa pra dois com um vinho razoável, prepare-se para desembolsar pelo menos US$ 350, com gorjeta. O que no câmbio de hoje dá cerca de R$ 1,2 mil.

Não é barato, mas como escreveu o Pedro Andrade, autor do livro “O melhor guia de NY”, se Andy Warhol fosse vivo ele não estaria apenas nas paredes, mas entre os comensais. Vá e desfrute desse prazer com status de arte. Afinal, arte lá é o que não falta. Dizem até que a coleção vale bem mais que o aluguel anual do prédio.

 

The Lion

No.62. West 9th Street, West Village, New York.

Telefone: 1 (212) 353 8400

 

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