Biblioteca feita pra inspirar


A biblioteca da Praia do Amor, em Pipa, é um exemplo de como boas ideias crescem, apoiadas pela comunidade. A despeito da falta de incentivo da prefeitura de Tibau do Sul, que conhece o projeto, mas nunca apoiou financeiramente, o acervo disponível ao ar livre foi ampliado para três mil títulos e novas estantes acabam de ser construídas.

O surfista Adalberon Batista de Omen, o Beron, voltou a repetir a ação de tempos atrás: procurou uma empreiteira que atua na praia e pediu que lhe doassem madeira para construção de mais prateleiras. Ele recebeu o material e colocou a mão na massa.

Agora a biblioteca tem três módulos e pode ser fechada durante a noite para proteger os livros da maresia e eventuais chuvas. Acabou-se o trabalho de recolher o acervo todos os dias. A partir das 9h da manhã todos os títulos ficam disponíveis. E o movimento segue até às 17h.

A ideia principal é incentivar a leitura. Por isso é que não se cobra um tostão pelo serviço. Os frequentadores da praia podem pegar qualquer livro e, caso estejam hospedados em alguma pousada e queiram levar, basta fazer um pequeno cadastro com telefone, o local onde estão e assumir o compromisso de devolver ao fim da leitura. Também existe a possibilidade de escambo de livros, pra renovar constantemente o acervo.

Origem

Tudo começou há quatro anos. Beron e o amigo Rodrigo Axé, dois surfistas que nadaram muitos mares até atracar em Pipa, pegavam onda e trabalhavam como ambulantes. Já enturmados, receberam um empurrãozinho.

“Eles começaram com isopor e uma barraquinha, ensinando a pegar onda. E aí era ele e Axé. Eles são bonitos e solteirões e algumas meninas, interessadas nos rapazes, começaram a deixar livros e revistas com eles. Uma argentina pegou um banquinho e montou uma mini estante, que ficava ao lado das pranchas da escolinha de surf. Quer dizer, começou naturalmente”, conta Marizé Assis, que também mantém uma biblioteca para crianças, em Tibau, e se considera madrinha do projeto Biblioteca da Praia. Tanto que ajuda a aumentar o acervo.

“Eu e Sandra (Nogueira) somos madrinhas dos meninos. Ganhamos sempre livros, por causa do Book Shop da Pipa e da biblioteca. Recebemos muitas doações de turistas e gringos moradores. Pipa é uma praia de estrangeiro viajante, ninguém passa muito tempo. Quando eles vão embora, deixam os livros e nós trazemos muitos pra cá”, conta.

Até bem pouco tempo só existiam três prateleiras e os livros era abrigados do sol

e da chuva apenas por uma palhoça, como mostra essa foto feita por Beron

e publicada no portal UOL em maio passado

Atualmente é Marizé quem toma conta da biblioteca, já que Beron e Axé estão viajando. Mas ela também é usuária. De fato, opção não falta, já que existem mais de três mil livros escritos em português, inglês, espanhol, alemão, francês e até hebraico e mandarim.

A biblioteca fica bem no meio da orla da praia dos Afogados, como é mais conhecida pelos nativos, num espaço mais afastado dos quiosques que reúnem turistas em busca de diversão. É nessa área que se nota um público mais alternativo e praticante de esportes aquáticos.

O acesso até lá acontece por uma caminhada à beira-mar ou descendo por uma trilha que existe antes do Chapadão. Gaste uns dez minutos pra chegar e muitos mais pela literatura e sua maior fonte de inspiração: a vida real.

Texto e fotos: Cristiano Félix

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