Lumberssexual: será que essa moda pega?

15.07.2015

Acontece na natureza e também na moda: o mais forte vence o mais fraco, posto em extinção. Assim está acontecendo com o metrossexualismo que vingou na última década, impondo aos homens heterossexuais alguns padrões ditos gays - de cuidado com o corpo e aparência -, além de códigos de vestir. Essa tendência promete desaparecer com a chegada do lumberssexual. Afinal, o estilo machão nunca saiu de moda. 

Quando adotei barba cerca de um ano atrás, tentava me livrar da aparência de rapaz sério e comportado que era visto de terno e gravata atrás de bancada de telejornais. Era, de certa forma, um comportamento metrossexual, já que a barba sempre estava feita e todo o resto no seu lugar. Ao abandonar, a quem perguntava eu dizia: “É o meu lado cafajeste que está falando mais alto”. Continuo acreditando piamente nisso: todos nós homens – e hoje é o nosso dia, comemoremos! – temos um lado cafajeste, independentemente de orientação sexual.     

O tipo machão até foi subvertido alguns anos atrás, quando figuras como David Beckham, que tem uma inclinação para a vaidade feminina, explodiram como referência de beleza e estilo. Que fique claro: a moda é uma indústria e precisa de figuras assim, além de criar nomes estranhos para tentar vender conceito e, segundos depois, produtos aos montes. 

O que não se previu nessa época é que muitos homens se sentiriam incomodados com a referência homossexual. Eu acho que não se trata de preconceito, mas de comportamento mesmo. A tendência metrossexual até perdurou, mas ela tinha muitos pontos fracos, afinal não é só uma questão de brio, mas dá trabalho ter cuidados e estética meticulosa. E é assim que ela está à beira de ser extinta. 

“Acabou a era das silhuetas longilíneas quase femininas, agora se usam cortes mais amplos, materiais mais autênticos como flanela, couros vegetais, denim bruto", proclamou Geoffrey Bruyere, coautor do “Guia do homem com estilo, ainda que mal barbeado”, publicado na França pela editora Pyramyd. 

O cara nem estava falando da onda de androginia que surgiu no meio do caminho. Não era um lance físico se não de composição de visual mesmo. Bruyere leu e releu as anotações de Tom Puzak, editor do site Gear Junkie, especializado em trajes e materiais de aventura, um dos primeiros a identificar a tendência lumberssexual.  

Puzak classificou esse novo homem como alguém que prefere ter uma vida ao ar livre, com vaidade, mas sem excessos. No modo de vestir ele é como um hipster desarrumado, mais largadão, que entende de moda e anda com mochila ou bolsa carteiro. O acessório é de couro, mas com estilo rústico, sem tratamento ou brilho. E dentro, ao contrário do que muitos pensam, não vai nenhuma foice ou outro utensílio das florestas, como sugere o “lumber” (termo em inglês que remete aos lenhadores), mas um MacBookAir.

Ainda falando de visual, a barba pode estar em desalinho, mas esse homem pode ter gel no cabelo. Enfim, essa é uma forma de dizer nas entrelinhas que a gente deve esquecer os estereótipos. Comece por abstrair que a roupa mais icônica é a camisa xadrez com padrões grandes. Essa estampa pode ser usada pra um visual rock, moderno, country, só depende do complemento.

O lumberssexual pode ser – e está – mais próximo do que os estudiosos de moda chamam de “normcore”, que nada mais é do que uma forma de vestir sem um estilo particular ou único, mas sempre pensando mais no básico.   

Algumas das celebridades mais vistas assim são o ator Hugh Jackman, que interpretou Wolverine no cinema, e Gerald Butler, o guerreiro espartano do filme 300. Esses dois são, provavelmente, cada um do seu jeito, lumberssexuais. 

Ou seja, o lumberssexual é um homem mais selvagem e machão. Mas, nos dias de hoje, nem ele está livre de ser rotulado. A sociedade, assim como a indústria da moda, faz isso sempre e age como se fosse natural dar títulos. Basta dizer que a imagem de homens rústicos, autênticos lenhadores, está desde sempre no universo gay e na cultura do filme pornô. 

Quer uma dica? Haja como homem hoje e sempre e – embora pareça estranho de quando em vez – simplesmente dê de ombros pra os rótulos. Estilo, como dizem, é pra quem pode.

Essa foto que fiz hoje é quase um chiste. Serve pra mostrar que xadrez não faz de mim, nem de você, luberssexual: é só uma estampa massa e atemporal 

 Gerald Butler: luberssexual sem xadrez, saca?

Joe Manganiello é outro ator ligado a essa tendência

 

Texto: Cristiano Félix

Fotos: Éverton Barbosa (minha) + referência

 

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