As referências do Nau

06.07.2015

Aqui em Natal o restaurante Nau Frutos do Mar abriu em janeiro, com direito a muito burburinho. Eu, que adoro histórias de famílias empresarias, fiquei impressionado com o investimento que se pode ver pela estrutura, mas não ouvi ninguém falar quanto custou o projeto. Lá em Brasília especula-se que o Nau saiu pela bagatela de R$ 3 milhões. Enfim, acho o daqui mais imponente, mas muitas outros paralelos surgiram.

Uma delas eu mesmo fiz. Apesar de achar muito bem pensado o projeto do arquiteto Leonardo Maia, já tinha visto algo semelhante ao ornamento mais suntuoso do enorme prédio, com salões para abrigar até 600 comensais: a amarração cenográfica de aço, formando uma enorme tarrafa, rede de pesca circular muito característica das praia do Nordeste. 

Lá em Miami, o New World Center – um centro de concertos projetado por Frank Gehry em um dos quadrados mais caros de South Beach e inaugurado em 2011 – tem uma entrada com a mesma estrutura de metal, só que lá ela é pintada de branco e fica no jardim, rodeada de plantas e ao alcance das mãos. Achei incrível quando vi pela primeira vez, num concerto ao ar livre. 

Fachada e jardim do New World Center, em Miami.

Foi ou não foi a grande inpiração do projeto do restaurante Nau?

 

Por dentro, outra comparação. Muitos disseram que o cardápio é bem semelhante ao dos Restaurante Camarões. Concordo, mas no Nau a comida é leve e nem mesmo o Camarão Poldina (R$ 92), com arroz cremoso e dadinhos de queijo de coalho empanado, pesa no estômago. Os molhos podem até ser encorpados, mas ninguém sai com a sensação de que tudo leva muito creme de leite, saca? 

Fui lá hoje, pra começar bem a semana. Além de me empanturrar (os pratos servem bem três pessoas), comi um brownie surpresa (R$ 19), que vem literalmente embrulhado, e conversei com uma funcionária antiga, que trabalha desde 2002 pra Leneide Maia Albuquerque, a paraibana que criou o Mangai. Ela se chama Rose e me atendeu tão bem que fiquei com vontade de compartilhar essa boa impressão. 

Rose é da época que Leneide, vulgo “Parêa”, andava pelo salão do Mangai com uma faca peixeira. Nesse mesmo período, início dos anos 2000, outra funcionária era a sensação da casa. Todo mundo chamava a negra de sorriso largo de Paixão. Ela passava com um carrinho de sobremesas pelos corredores, literalmente ganhando cliente no grito. Era uma alegria vê-la trabalhar e oferecer conversa fiada e doces, sempre que solicitada ou não.

Detalhes do interior do restaurante Nau, em Natal

 

O Mangai e o Nau são do mesmo grupo, uma empresa familiar da Paraíba. O arquiteto dos restaurantes é da família e a novidade, apresentada hoje por Rose, é que o artesanato feito por uma irmã de Leneide, Lenita Maia, agora é vendido por lá. Ela me mostrou as flores de escamas de camurupim e as luminárias em formato de peixe, feitas de palhinha. Pra conhecer a empresa Terra do Sol, basta clicar aqui.   

Como você pode ver, não é só a gastronomia que nos atrai ao Nau. E, cá entre nós, não há mal nenhum em ser comparado com outros se você se mostra e sempre tenta fazer melhor. Com a palavra os especialistas em benchmarking. 

 

Texto e fotos: Cristiano Félix

 

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