Eataly precisa fechar as portas para ajustar operação

30.05.2015

O sucesso de público é certo: desde que abriu as portas em São Paulo, no dia 19 de maio, o Eataly recebe em média sete mil pessoas por dias – duas mil a mais que a previsão dos sócios Victor Leal, Bernardo Ouro Preto, Mario Batali e Lidia Bastianich (sócios em 23 restaurantes). Os produtos também agradaram, como era de se esperar, já que o projeto tomou por base o shopping gourmet de Nova York. Mas se existe uma falha no projeto, esse ponto foi abrir as portas antes da hora e ter de fechar para fazer ajustes.

Aqui cabe um parênteses. Fechar para ajustar o serviço e a demanda não é algo necessariamente ruim, mas hoje existem alguns mecanismos para isso, sendo um deles se utilizar do “soft opening”. Não dá pra traduzir conceito ao pé da letra, mas aqui no Brasil a “abertura suave” funciona muito bem, desde que seja algo explicado aos clientes. Normalmente se paga menos por produtos e serviços e existe um aviso na porta, pelo menos. Em restaurantes isso também é chamado de “queima de panelas”. O Eataly não fez isso, não entregou a experiência interessante que deveria e depois enviou uma nota de fechamento de portas nos dias 25 de maio e 1º de junho. No comunicado à imprensa, a empresa explica que se trata de “conduta global dar uma pequena pausa logo após a inauguração para ajustes na operação”.  

Experiência

 

Era meio da tarde e ainda havia uma fila de umas 40 pessoas. Apesar disso, o atendimento foi rápido, esperei um pouco e entrei. A maioria dos restaurantes já estava fechada e só reabriria para o jantar, às 19h. Ninguém na porta se preocupou em dar qualquer aviso. Sem muita escolha, colei em outra fila para conseguir um lugar no La Pasta. Esperei mais uns 15 minutos e me colocaram numa cadeira no balcão. 

Estava com um amigo, pedimos um vinho e logo após o primeiro gole, pra nossa surpresa, uma das tubulações começou a vazar sobre nossas cabeças. Veio um garçom, passou a mão sobre o mármore e disse: “Não se preocupem, é água!” Minha primeira reação foi de total estranhamento. Depois tive vontade de perguntar o que poderia ser se não fosse água. Enfim, aceitei que nos trocassem de lugar e seguimos com o pedido.

O sommelier se aproximou, pediu desculpas e disse que traria uma nova garrafa do mesmo rótulo do vinho. Falou, meio envergonhado: "Ainda precisamos fazer alguns reparos, mas logo tudo vai ficar pronto." Pensei cá comigo: Como assim "logo", se as portas já estão abertas?

Pra acompanhar, pedimos um prato de petiscos (R$ 75) de três andares (uma salada de folhas, tomates e queijo fresco no topo, o do meio com uma seleção de queijos e charcutaria e finalmente alguns itens fritos, sobretudo pescados). Não estava mal, mas os empanados, principalmente os frutos do mar, bem que podiam ter um molho.

Pra fechar a visita, chegou a conta. Os dois vinhos, incluindo aquele da goteira, foram cobrados. Como eu já estava atento, expliquei que o primeiro não foi consumido e pedi pra retirar da nota. Enfim, a experiência que me ofereceram foi de caos. Do início ao fim.

Mesmo com tudo isso, voltei. O atendimento pode não estar dos melhores hoje, a estrutura ainda precisa ser bastante ajustada, mas, de fato, a qualidade do produto é inquestionável. Foi o que me fez voltar pra comprar algumas massas e molhos, antes de voltar pra Natal.

Comi ainda a tão falada pizza. Confesso que nunca vi nenhuma marguerita com uma única folha de manjericão, mas o gosto não estava ruim, o molho de tomates era suavemente delicioso. 

Não quero parecer do contra, mas tampouco escolheria as pizzas e focaccias como os itens imperdíveis. Pra mim o que há de melhor no Eataly é a doceria. Comi uma pana cotta deliciosa e o tiramisù também estava soberbo. 

Esforço conjunto

 

Além do restaurante que fui, há outros seis espaços temáticos, espalhados pelos dois primeiros dos três pisos do shopping gourmet. O Eataly chama a atenção pelos números em meio a essa estrutura. São 520 funcionários, entre eles 95 chefs, subchefs, chefs de partida e ajudantes de cozinha, 250 garçons, cumins e hostess, 150 coordenadores, repositores, estoquistas e consultores de alimentos, além de gente de manutenção e administrativo. 

A equipe de cozinha é liderada pelo chef Du Cabral, que tem como braço direito o suchef Thiago Saldiva. Na adega há exatos 888 rótulos de vinhos. Vá preparado para fazer boas compras no supermercado. O gasto médio dos clientes está em R$ 85, sem bebida, mas dá pra se feliz com mais ou muito menos. A fatia da tal focaccia, por exemplo, custa entre R$ 8 e R$ 15, dependendo da cobertura.

Quer fazer bonito na frente das visitas, em casa? Leve a massa fresca!

 

Endereço: Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 1489, Itaim Bibi, São Paulo.

Site: eataly.com.br

 

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