Chapéu não é tudo igual

12.05.2015

Homens sempre emprestaram seus guarda-roupas para as mulheres. Seja em busca de conforto ou para exigir condições e tratamento igualitário é que elas começaram a usar calça, ternos, coletes e até recentemente a calça boyfriend.  Mas com dois dos chapéus mais conhecidos pelos fashionistas aconteceu justamente o movimento contrário. Tanto o modelo Fedora quanto o Trilby foram usados por mulheres para, só depois, nós os mostramos nas ruas.

Como gosto cada vez mais desse acessório, dedico um tempo a lhes contar um pouco da história deles e falar sobre as diferenças entre os dois, ajudando a quebrar o paradigma de que só são diferentes pelo tamanho das abas: essa é mais uma das pegadinhas que a internet vem fazendo ao longo dos anos. Difícil encontrar por aqui alguma informação realmente relevante sobre o tema. Nem o Wikipédia reconhece diferença entre os dois tipos. Mas, enfim, vamos lá.

O Fedora recebeu esse nome porque foi usado primeiramente na peça homônima em que Sarah Bernhardt era uma das principais atrizes. Poucos anos depois, já no início do século XX, a obra foi transformada em ópera e converteu o acessório em moda, independentemente de gênero. Homens e mulheres usavam os seus em busca da mesma sensação: de charme. O chapéu de abas longas e detalhes bem delicados se tornou item essencial até o final dos anos 1960. 

As características do Fedora são mais femininas mesmo. Além da aba maior, os modelos comumente tem acabamento das abas feitas com tecido diferenciado, são adornados com faixas de seda ou brilhosos cetins e podem ter laço na lateral, inclusive os modelos masculinos. Também são mais altos – o que seria uma forma de alongar a silhueta e fazem com que os penteados não ficassem tão amassados. 

Só há uma incontroversa nessa história toda. A Bosalino reclama judicialmente a patente do chapéu Fedora para si, alegando, entre outras coisas, que para entrar como figurino na peça, ele precisava já ser um modelo reconhecidamente de sucesso. O fato é que a marca italiana não conseguiu juntar provas e não tem direito ao crédito até hoje. 

O ator Johnny Depp é o cara que mais consegue quebrar a formalidade do Fedora. Ele aparece por aí usando modelos clássicos com looks totalmente despojados, como nessa imagem que catei pela web.

O Trilby vem de outra peça de teatro, do romance de George du Maurier. E tornou-se popular entre os anos 1920 e 1960. O modelo traz a inovação da aba mais curta, justamente para que ele fosse usado de maneira mais informal, com o relaxamento estético que a moda começava a pedir na época do surgimento dos jeans e em que as camisetas deixaram de ser segunda pela e começaram a ser encaradas como peça principal.  

Nos tempos de hoje não é diferente, o trilby continua tendo uma faceta mais informal e jovem. A modelagem clássica continua, o Trilby ganha um ar descolado por causa das cores vibrantes e texturas dos tecidos com que são feitos. Parece que a ideia é não deixa-lo ser básico. Os modelos monocromáticos são quebrados com faixas estampadas e assim vai. 

Por causa desse hábito sem-cerimônia, o modelo frequenta lugares cada vez mais informais. Eu, por exemplo, tenho usado muito na praia, lugar que é dominado pelo modelo Panamá e outros de palha. 

 

 

Quer saber quem abusa do estilo? O cantor Justin Timberlake. Nos palcos e na rua o estilo é garantido. 

 

Texto: Cristiano Félix

Fotos: Éverton Barbosa e referências da internet

 

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