Dois mercados imperdíveis em Madri

22.03.2015

Ir ao Mercado de San Miguel é como voltar no tempo, pra a época em que morei na Espanha. Eu sempre curti esse lugar, mas ele se tornou o meu preferido, em definitivo, desde que reabriu as portas, em maio de 2009. O espaço é grande, com 1,2 mil metros divididos em dois andares, uma boa variedade gastronômica e as vantagens do comercio contemporâneo com o charme da estrutura do século XX.

A recuperação feita tempos atrás preservou as linhas originais projetadas pelo arquiteto Afonso Bubé y Díez, que se inspirou no estilo de Las Halles, de Paris. A construção de 1916 é um charme, mas a influência francesa para por aí: El Gastrónomo de San Miguel hoje tem como referência La Boquería, em Barcelona. É por isso que oferece produtos de alta qualidade e alguns de temporada, juntando gente de todas as culturas, classes sociais e interesses: desde as que querem passar um tempo livre, comendo e bebendo, até as que querem abastecer a dispensa.

Antes da reforma só se tinha notícia de uma feira ao ar livre que funcionava nesse mesmo local. A memória dessa época do “mercado de peixe” não é apenas sentimental. Alguns dos quiosques vendem pescados enrolados em papel tipo manteiga que simula o de jornal. Camarões, anéis de lula e muitos mariscos deliciosos com apenas um limão espremido e uma cerveja. A paella custa € 12 e eu nunca saio sem provar.

Bem azeitada, a gastronomia espanhola está em todos os cantos, mas não é só isso. No mercado também é possível encontrar uma banca de carnes, por exemplo, com muitas carnes de caça. Numa boutique de carnes chamada Carrasco eu provei um sanduiche de veado (a dupla por € 4) e uma de entrecôte (€ 3,5). Uma taça de vinho custa em média € 3.

O dia em que fiz essas fotos era uma quinta-feira e o espaço estava lotado. Como é o mais famoso, o Mercado de San Miguel atrai muitos turistas, que antes ou depois passam na vizinha Plaza Mayor. Ou seja, recomenda-se aproveitar muito esse espaço, mas evitar nos finais de semana. No bolso leve cerca de € 25 por pessoa - o que em valores de hoje corresponde a uns R$ 90 - para comer bem.

Outra boa opção, que só agora conheci, é o Marcado San Idelfonso, na região da Chueca. Ele tem um estilo mais nova-iorquino e não há produtos à venda para levar pra casa, por exemplo. Funciona como um grande ponto de encontro de jovens, que saem para fazer degustações. As porções são pequenas e consumidas lá mesmo. Dá pra provar um pouco de tudo, principalmente se você vai em grupo e compartilha as porções.

Uma vantagem – e que faz a galera ficar mais tempo por lá – é que existem mais mesas disponíveis. Eu vi poucas pessoas comendo de pé. A desvantagem é que, apesar de ter um tipo street market, a oferta gastronômica não é cosmopolita, predomina a gastronomia espanhola.

De tudo o que provei o que estava mais saboroso era a tortilla (massa de ovos, batatas e cebolas) coberta com champignons e trufas negras (€ 16). Os anéis de lula também estavam incrivelmente macios (€ 8).

Sente em uma mesa extensa, dividida com vários desconhecidos e comece a puxar papo. As pessoas por aqui estão mais abertas e tem mais tempo para conversar. O Mercado é uma nova opção para “tapas y copas”.  

Texto e fotos: Cristiano Félix

 

Endereços:

Gastrónomo San Miguel - Plaza de San Miguel, s/n.

http://www.mercadodesanmiguel.es/

 

Mercado San Idelfonso - Calle Fuencarral, 57.

http://www.mercadodesanildefonso.com/

 

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