Ron Mueck: quase real, sem tamanho real

18.02.2015

 

Conhecer de perto o trabalho de Ron Mueck me despertou sentimentos contraditórios. De tão comentada e badalada, a exposição criada por iniciativa da Fondation Cartier pour l'art contemporain Paris e que está em cartaz na Pinacoteca de São Paulo deixa qualquer um curioso, ansioso. Isso é um passo pra achar incrível a arte desse australiano que produz em Londres. E decepcionante também.

Nem tudo é gigante como se alardeia e nem se deve classificar como surrealismo. A própria curadoria tem o cuidado de que o visitante tenha esse distanciamento. A ideia é criar uma ilusão, apenas aproximando do que é real. Ron Mueck, filho de uma alemã fabricante de brinquedos, aprendeu muitos truques desde cedo e aperfeiçoou a técnica para fazer esculturas ou bonecos imensos, alguns - só alguns, frise-se outra vez - de tamanhos monumentais. 

 

 

A escultura que abre a exposição foi a que mais me impressionou. Não esperava que fosse maciça, mas pelo menos 360º achei que deveria ser. Mas, na verdade, é apenas uma máscara, um autorretrato moderno, inspirado nas selfies tão compartilhadas nas redes sociais. O termo selfie deriva do inglês selfie-portrait que, literalmente, quer dizer autorretrato. 

O artista justificou a confecção da máscara dizendo que ela é um elemento inteiro em si, coisa que um busto ou um meio corpo não poderia ser. Fiquei convencido e fiz meu registro em frente. Essa é a peça mais bacana da mostra. É quase viva porque tem peso, gravidade. A cabeça encostada e relaxada deixa lábios entreabertos e as maçãs do rosto caídas. É, de fato, como todos nós ficamos na intimidade ou na intimidade "fake" compartilhada nas redes de relacionamento.

 

 

A escultura "Jovem Casal" também é de muita sensibilidade, retrato de uma cena banal do cotidiano. Na parte de trás da peça se nota um gesto de maior intimidade dois, por assim dizer. E, claro, eu não estragaria a surpresa. É preciso chegar lá pra ver de perto.

Mas essa é uma das esculturas pequenas, foi feita em 2013 e é mostrada pela primeira vez aqui no Brasil. Deve ter no máximo um metro de altura, daria pra ter em casa.

 

 

Feliz também foi a sensação passada em "À deriva". Uma parede enorme pintada de azul piscina mostra a dimensão do isolamento.

 

 

Curiosos de plantão podem se refestelar com um vídeo de 52 minutos sobre o processo de produção. Não é nenhuma Brastemp. Sem falas, só não se aproxima mais da época do cinema mudo por causa da estética e da nitidez das imagens. Fosse comentado, explicado, entenderíamos melhor o processo. Afinal, nem todo mundo é especialista em criar bonecos, certo? Mas com certeza dá pra matar um pouco da curiosidade, sobretudo sobre a montagem das esculturas gigantes como "O casal debaixo do guarda-sol". O você achava que elas não era feitas por partes?

Só mais uma informação: é tudo feito com vários materiais, entre eles fibra de vidro e silicone.  

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