​Pethit do Rock

24.09.2014

 

Saiu hoje o clipe do primeiro single do álbum "Rock'N'Roll Sugar Darling" de Thiago Pethit. O cantor participa não apenas das gravações, mas assina o roteiro de Romeo, que tem a produção executiva assinada pela Mayra Auad e direção de Rafaela Carvalho.

Pra quem acompanha as postagens do gajo, ele foi dando algumas pistas das locações que estavam sendo usadas, especialmente no instagram. As gravações aconteceram em Los Angeles, onde a capa do álbum que será lançado apenas em novembro foi clicada por Gianfranco Briceño, com direção de arte de Pedro Inoue, o mesmo de capas dos discos de David Bowie.

 

 

Olha só o vídeo de Romeo. É bacana de tudo!

 

 

Entrevistei o Pethit na cidade de Recife, durante a turnê do álbum anterior, o segundo da carreira. Dá pra ver claramente a evolução do trabalho e a pegada cada vez mais rock. Fui ao lado da fotógrafa Giovanna Hackradt e ela fez essa imagem que eu adoro.

 

 

Mais tarde convidei o Pethit pra escrever sobre moda dos anos 1990 pra a revista LivingFor e ele me entregou esse texto cheio de referências pessoais. Muitas delas eu achei na estética do clipe. Além de me trazer boas lembranças, achei que valia o resgate.

 

Moda 90's

 

Onde quer que procure sobre a moda atual, você há de ler: “os anos 90 estão de volta!”.

O que tanto se repete sobre a tendência, mas poucos parecem entender, é que o que o novo clichê da temporada significa, pouco tem a ver com jeans rasgados, flanela xadrez ou cabelos ensebados. Ou melhor, tem tudo a ver: mas não do jeito que se imagina.

No mundo da moda é claro que o que dita às regras são as vendas. Mas foram e são exatamente sobre elas que recai o que chamamos de moda (ou seria a antimoda?) ‘grunge’.

Para entender o frisson estético da década rebelde (digo estético, pois não se limitou às roupas - música, cinema e outros ícones comportamentais encontraram-se todos dentro dessa camisa de flanela) é necessário, portanto, voltar a história econômica dos EUA e mundial.

O fim dos anos 1980 trouxeram consigo um hiato melancólico para a geração que viveria entre o fim das guerras, a recuperação de uma economia abalada e o medo que viria no pós 11 de setembro de 2001. Àquela juventude sem esperanças, ironicamente, seria concedido o direito de (voltar) a sonhar. E viver, para além de uma cultura com os olhos voltados para a bolsa de valores.

Grunge significa, sobretudo, sujo. A estética dessa moda marginal assumiu para si um protesto ‘anti-tudo’. Mais especificamente, ante todo o establishment e brilho dos anos 80: ao contrário das gravatas e dos cabelos engomados do jovem yuppie - young urban professional -, o ‘new look’ cresceria de uma economia ainda em recuperação.  Esse jovem que, com a falta de empregos resultante da década anterior, teria tempo de sobra para deixar o cabelo e a barba crescerem e faria dessa desesperança um universo contracultural dos mais interessantes. E que embora rico culturalmente, era bastante pobre financeiramente.

E daí, qual solução as vendas e a moda encontraria para vestir essa gente?

Roupas de brechó eram baratas e atemporais (além de remeterem aos clássicos, fossem beats, fossem cowboys, fosse o Elvis Presley). O minimalismo cumpria uma questão funcional e os jeans, esses já estavam rasgados de velhos. Os cabelos, sujos e longos, eram sinal de protesto e segundo alguns, de preguiça - assim justificavam a falta de banho do Kurt Cobain. Mas não seria a preguiça uma prima irmã da melancolia e ao mesmo tempo uma atitude ‘anti-atitude’? Uma negação à disposição de produzir, tal qual exige o sistema capitalista?

Então, a cultura que não produzia estava repleta de muitas siglas ‘anti’. Eram anti-heróis como River Phoenix que se tornariam símbolo de rebeldia, tal qual James Dean (sim, essa mesma moda que hoje revisita os 1990 para expressar uma economia mundial em crise já havia visitado os anos 1950 do pós-guerra para lamentar uma juventude ‘perdida’ – consta que entre 1990 e 95 os EUA tiveram seu pior crescimento econômico desde o pós-guerra).

Foi assim também, pelas mãos de um jovem iniciante desinteressado em produzir que a antimoda tomou as passarelas de alta costura. Alguém que faria daquela piada não consumível algo consumado: Marc Jacobs. Sim, o mesmo estilista que recentemente decidiu falar de bruxas-grunge ao invés de princesas, após o casamento de Kate Middleton. Na mesma Inglaterra ‘pós-riots' juvenis.

Portanto, da próxima vez que você ler por aí que “os anos 90 estão de volta” tente por um segundo se esquecer daquele par de jeans rasgados e lembrar de um mundo e de um sistema que começa a tentar se reerguer após uma grande crise econômica. Que parece começar a perder o medo dos ataques terroristas - as tais novas guerras do século XXI - e tente, quem sabe, sonhar.

Tente. Ainda que seja sem esperança, de um jeito um tanto quanto melancólico e perdido. Mas que te permita pensar sobre um novo modelo de sociedade, sobre uma nova juventude, e novos ícones para essa cultura. Eu já escolhi meu novo James Dean. E você, vai sonhar com a nova princesa da Inglaterra?

 

Fotos: Gianfranco Briceño/divulgação e Giovanna Hackradt.

Texto: Thiago Pethit.

Arte: André Alves.

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