Como escolher sua bike

04.08.2014

 

Os homens e suas máquinas sempre dão o que falar. O cara que compra um carro com motor superpotente sempre corre o risco de ouvir um engraçadinho dizendo que ele tem o pau pequeno e está querendo compensar (Sim, você sabe que também já desdenhou do seu melhor amigo!). Mas, como o tempo corre e os meios de transporte mudam, é bem capaz de hoje, no lugar do possante, você dar uma olhadinha na bike do cara ao lado e invejar aquele equipamento. Um aviso pra quando isso acontecer: relaxe, meu amigo! Mais importante do que ter um instrumento de primeira é saber usar bem o material que possui.

 

Escolher a bicicleta ideal não é uma tarefa complicada se já se tem em mente o terreno a desbravar, seu desejo e fôlego, claro. Apesar de saber que todo mundo melhora a performance com a prática, na hora de comprar sua bike o melhor que se tem a fazer é não mentir. Se nunca pegou uma magrela pra valer, diga a verdade, sem vergonha.

Como pedalar é muito mais gostoso acompanhado, o grupo que te receber vai certamente tentar adequar o percurso. E, se você  não disser a verdade, corre o risco de se embrenhar numa trilha de 50km e ver que chegou ao seu ápice precocemente no início da jornada. Volto a dizer: como esse é um ato coletivo, é preciso pensar no prazer outro também. Faça sua parte!

Várias lojas especializadas em ciclismo estão espalhadas pelas cidades brasileiras. É bem verdade que elas existem em maior número que os quilômetros de ciclovias (a exceção é morar no Rio de Janeiro e ter à disposição 361km de ciclovias, a segunda maior extensão da América Latina). Mas, mesmo sendo um mercado que cresce – em concorrência, inclusive – e todo vendedor querer faturar, ajude-o. Para o seu próprio bem. Vão aqui algumas dicas na hora da pesquisa.

 

1. Primeiro tenha em mente a finalidade de ter uma bike: transporte (ir ao trabalho, escola, faculdade), praticar esporte, lazer ou até perder peso. Parece bem básico, mas é importante dizer seu objetivo. Isso vai ajudar na escolha do melhor modelo.

 

2. Tenha em mente quanto se pode gastar. Uma bicicleta de primeira linha pode custar tanto ou mais que um carro popular. E isso não é pra te fazer desistir antes de começar. Há bons equipamentos no mercado por cerca de R$ 3 mil desde a abertura das importações no país nos anos 1990. Tem pra todos os gostos e bolsos.

 

3. Reserve parte da verba para adquirir acessórios e equipamentos de segurança. Bermudas acolchoadas (seu saco vai agradecer), luvas, óculos, capacete, luzes de sinalização e faróis. 

 

4. Bicicletas são como sapatos, têm um tamanho ideal. Isso vai ter fazer render melhor e prevenir lesões. Veja aqui uma tabela simples de medidas feita pela galera da “Escola de Bicicletas”.

5. Mesmo sabendo o tamanho mais adequado para o seu tipo físico, peça pra fazer um test drive.

 

6. O preço é definido pela fábrica, mas sempre há margem de negociação e possibilidade de conseguir um desconto para pagamento à vista, por exemplo.  A marca da sua bike pode ser definida na hora, de acordo com seu gosto. Elas tem cores e grafismos diferentes.

 

Motivação

 

Resolvi fazer esse post despois de ler uma reportagem publicada hoje no Novo Jornal. Já trabalhei lá e há uns quatro anos também escrevi um texto sobre a ciclofaixa que a então prefeita de Natal, Micarla de Sousa, tentava implantar na Avenida Afonso Pena, em Petrópolis, durante o final de semana.

Naquela época disse que a iniciativa era boa, mas, por aqui, dispendia mais esforço e dinheiro dos cofres públicos que qualquer outra coisa. Uma faixa ficava interditada para o tráfego de veículos e havia mais policia fiscalizando que gente pedalando. É claro que o projeto não vingou.

Ainda escrevi um depoimento sobre como um projeto semelhante foi iniciado nos arredores de Paris, sem atrapalhar tanto o trânsito, e isso ajudou as pessoas a entrarem no ritmo. Afinal, a ciclovia é um modo de transporte que como qualquer outro deve ter espaço e respeitar o dos demais. Mas, por isso, recebi algumas críticas. De gente que acha que falei aquilo por esnobismo, por já ter saído pedalando por aí muito antes disso virar moda. Aqui, advirto: não foi!

Pedalar é pra quem gosta, é um estilo de vida. Sempre que viajo, em qualquer lugar, dou um jeito de pegar uma bike emprestada, alugar. De qualquer tipo vale. Pra me aventurar ou simplesmente conhecer a cidade. Além da Fraça, já fiz isso em muitos lugares, ao longo de muitos anos. Aproveito pra compartilhar um desses momentos com vocês e comentar sobre os diferentes tipos de bike.

 

 

Esse foi um circuito de supetão, feito em Bariloche, na Argentina. Não tinha roupas apropriadas, mas percorri cerca de 35km de muitas subidas e descidas nos Andes. Foi um dos melhores passeios que já fiz.

 

 

Essa outra é do fim do ano passado, em Amsterdã, na Holanda. Bicicleta simples, sem marchas, usada pra conhecer a cidade.

 

 

Essa aqui é a que eu uso pra pedalar em Natal. Uma alite 2000 da KHS. Dei uma boa incrementada nela, incluindo, por exemplo, computador de bordo e pedal com sapatilha – pra grudar o pé e aumentar o rendimento. Apesar de andar muito no asfalto, na cidade, escolhi uma mountain bike e vou começar falando desse tipo.

 

Modelos de bike:

 

Mountain Bike

 

O MTB deve ser praticado especialmente em terrenos irregulares, como uma trilha. É a mais indicada para um pedal de aventura, mas é a escolhida da maioria por ser uma bike versátil. Dá pra encarar um passeio simples e um cicloturismo com ela. E a maioria já sai de fábrica com suspensão na frente e freios a disco nas duas rodas. A maior desvantagem é a manutenção. Se você usa muito no barro, vai precisar limpar e lubrificar com mais frequência. Caso não, basta a cada 30 dias.

Você tem um estilo off road? Escolha um modelo com full suspension (suspensão traseira), aro 29 e quadro mais leve. Os de carbono são os melhores e mais caros mas os de alumínio também podem funcionar bem pra quem não é competidor.      

 

Speed ou road bikes

O ciclismo de estrada é a modalidade mais tradicional do esporte. Cresce com velocidade no Brasil, mas está muito longe de chegar ao que é na Europa. São bicicletas de pneus finos, mais velozes e menos confortáveis. Caso vá pedalar em região de montanha, considere adquirir uma speed com pedivela compacto e um cassete de 25 ou 27 dentes na traseira.

 

Híbridas

Em geral tem pneus mistos, aro 27 e uma geometria confortável. Pode ser uma boa opção pra quem quer pedaladas tranquilas e sem maiores aspirações. Nesse segmentos também se enquadram as confort bikes e as beach bikes.

 

Dobráveis

Esse tipo ainda é novidade por essas bandas (cuidado com a espiadinha ao lado!). Você pode até achar interessante, mas não compre se o seu uso não for estritamente urbano e de distâncias curtas. A praticidade do modelo permite que você use como modal de transporte associado a outro. Dobradas elas podem ser levadas perfeitamente dentro do metrô ou do ônibus. A Blitz, a Dahon e a Soul são as mais comuns no Brasil, mas recentemente a Caloi lançou a urbe por cerca de R$ 1,5 mil.

 

Outras dicas para uma pedalada sem ressentimento e na potência máxima:

 

* O guidão deve ser da largura do seu ombro e ficar cerca de 2,5 a 5 cm abaixo da altura do pedal.

* A altura do selim deve deixar sua perna levemente flexionada na posição baixa da pedalada.

* Não use fones de ouvidos. É preciso ter atenção, estando no trânsito ou numa ciclovia. 

* Verifique sempre os freios, a calibragem dos pneus e use filtro solar caso vá pra rua durante o dia.

* Não é competidor? Abra mão dos assentos estreitos, em benefício dos seus países baixos, e compre um mais largo, acolchoado com gel.

 

Por último, deixo dados do IBGE de quilômetros de ciclovias na principais cidades brasileiras. É pra que nos sirvam de lição. Como ciclista e cidadão eu quero ver esses números mudarem e que tenhamos mais gente saudável e menos estressada nas ruas.

 

 

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